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21/02/2017

(post original em 15/10/2010)


Transgressão urbana inteligente, coisa rara por esses lados! Saudades do tempo em que pelo menos as pichações eram de protesto...
O espaço urbano, ao ser usado como espaço de expressão de ideias e sentimentos transforma-se em um palco. A 'artistagem' transgressora dos que se apropriam desse espaço é como uma granada que explode, lançando estilhaços para todos os lados, não escolhendo seus alvos e não tendo dó de suas 'vitimas'!  Porém, o que se nota hoje é o desarmamento de mentes. Mentes atordoadas, mentes mansas e conformadas (muuuuu).
Há algum tempo, estudantes¹ resolveram gritar (e não mugir, hehehe) com a sociedade do automóvel e da poluição em Porto Alegre. Inicialmente foram algemados e tratados como vândalos, após vistos como 'desajustados' sem mais o que fazer... Esses estudantes foram ousados e, em seu surto artístico, ousaram mostrar aquilo que todos já não viam mais. Foi um protesto, mas também foi uma obra de arte, palmas para eles.
Não vou entrar no mérito de qualidade, mas sim na possibilidade de comunicação transgressora e crítica no espaço de uma cidade que massifica e tende a homogenização coletiva. Transgredir na busca de novas perguntas é o oxigênio de uma sociedade viva.
Banksy (artista urbano inglês) com certeza influenciou em algum momento os jovens artistas de Porto Alegre que ousaram limpar a sujeira do túnel com palavras de alerta. Agora a cidade se enche de vacas pelas ruas, tá é legalzinho, é arte e arte não precisa ter um fim, um objetivo por que ela (a Arte) já é um fim em si mesma e blá-blá-blá.
Mas confesso,  tenho saudade das pichações de protesto...



14/02/2017

De jangada leve uma eternidade...

O tamanho do nosso mundo muda conforme ampliamos nossos horizontes. A pé, uma vida inteira ao redor de poucos quilômetros.  A cavalo, um pouco mais longe. Trens, navios a vapor, meios de comunicação  ampliaram muito o 'tamanho' do mundo.
 Gilberto Gil cantou*:

"Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação (...)"


   Nos últimos tempos, ao ler jornais, ao conversar com algumas pessoas e reparar nos comentários de 'posts' em redes sociais começo a pensar que muita gente gostaria que não fosse verdade a globalização. Pois bem, quando negamos a diversidade de ideias e ideais, nos fechamos para o mundo. Quando negamos a existência do outro (simplesmente por não concordar que somos seres que olham o mundo de diferentes pontos de vista)  nos mantemos em um mundo pequeno, limitado, medieval.  O mundo não acaba mais "ali no horizonte" com disse Gil, mas para muitos isso parece não importar. 

 * Música:Parabolicamará. Gilberto Gil

09/02/2017

Velocidade x Segurança

 Tudo é uma questão de escolha entre esses dois fatores.  Na dúvida, penso eu, basta avaliar qual relação será mais favorável à segurança. Essa deverá ser a opção.


02/02/2017

Högertrafikomläggningen, aqui no Brasil?

Esse foi o logo utilizado para lembrar a população

Högertrafikomläggningen ou "Todos para à direita!"

     Foi assim, em um belo dia (03/09/1967), todo o sentido de tráfego de um país foi alterado! A Suécia fez essa ação nos anos sessenta.
   O mais incrível é que não houve nenhum acidente fatal atribuído à mudança. Especialistas sugerem que a mudança do tráfego para o lado direito das vias reduziu os acidentes em função de as pessoas já dirigirem veículos com volantes à esquerda, tendo assim uma visão mais ampla das ruas e de certa forma passando a ter veículos adequados àquela nova forma de dirigir, fato que não acontecia antes. O índice de acidentes fatais em automóveis e em automóveis contra pedestres também diminuíram como resultado. Uma parte desse decréscimo foi atribuída à redução nos limites de velocidade em 10km/h por algum tempo após a mudança. A taxa de acidentes retornou ao nível pré-mudança em dois anos.






   "No Dia H, domingo, 3 de setembro, todo o tráfego não essencial foi proibido em todas as ruas, da 01:00 às 06:00 da manhã. Os veículos com permissão de circular tiveram de seguir regras especiais. Todos os veículos tinham de parar completamente às 04:50 da manhã, para em seguida cuidadosamente mudar para o lado direito das vias e parar novamente, até a autorização para circular ser dada às 05:00. Em Estocolmo e Malmö, todavia, a proibição de tráfego foi bem mais duradoura: das 10:00 da manhã de sábado às 15:00 do domingo: o objetivo era permitir aos grupos de trabalhadores realizar a reconfiguração das intersecções. Algumas outras cidades tiveram uma proibição estendida: das 15:00 do sábado às 15:00 do domingo."
 A Islândia também teve o seu dia D (H-dagurinn) em 26/05/1968, obtendo resultados bem parecidos em termos de redução de acidentes, mortes e feridos no trânsito.

   Quem sabe não aplicamos aqui no Brasil um "Högertrafikomläggningen"?  Assim seríamos obrigados a redobrar a atenção, diminuir a velocidade e ficar super alertas na forma de circular.   Pelo menos a cada dois anos reaplicaríamos a mudança geral no sentido de circulação para não nos acomodarmos. Desta forma, como suecos e outros povos nórdicos fizeram,  estaríamos nos livrando de muitas mortes no trânsito. 
Högertrafikomläggningen já!  

(Sério?)




Fontes: Online Aspect 
 Swedish Confederation of Transport Enterprises

 

25/11/2015

Quem tem medo?

 A simples proibição resolverá o problema? Negar a força da internet; Negar a nova realidade da super conectividade entre pessoas e empresas; Negar a 'nova' economia que surge em todo o mundo e que tem como base as plataformas digitais; Negar o movimento mundial de capilarização e pluralização de meios de transporte e mobilidade das pessoas é a melhor forma de resolver o 'problema" do UBER? Primeiro punir e reprimir para depois conversar? Essa será a melhor forma de resolver a situação?
          Quem tem medo de novas formas de mobilidade? Quem tem medo de mudanças? Quem tem medo, tem medo por que pode piorar o sistema que aí está? Ou será que não é medo o que vemos e sim a  velha e conhecida incompetência no trato das coisas de interesse coletivo? 
      A chegada do Uber em Porto Alegre era tão certa quanto os congestionamentos da Freeway no verão. Pergunto: Por que não foi feito antecipadamente pela prefeitura e nossos gloriosos vereadores um debate propositivo sobre o assunto?
    EPTC e nobres vereadores, não sejam patéticos ao ponto de simplesmente proibir o Uber, por que esse aplicativo não será o último a surgir. Outros surgirão. Outras formas de oxigenar a mobilidade urbana serão criadas e perderemos a oportunidade de estabelecer uma 'rotina' positiva de avaliação desses aplicativos pelos órgão de gestão do trânsito. Alguma regulamentação é necessária, ok,  pois, se trata de preservar a segurança dos usuários e um manter um certo controle da organização pública, mas proibir não deve ser a primeira ação. Conversar, ouvir a população (e não somente interesses classistas), olhar experiências pelo mundo e depois regulamentar e, caso necessário, por fim: punir quando preciso.
   Vejo a situação do aplicativo em questão como a história da Hydra, cortem uma  cabeça e outras duas surgirão em seu lugar.

12/11/2015

Família Pedrosa


         Projeto lançado pelo jornal Pioneiro valoriza o pedestre e demais usuários do trânsito que normalmente são esquecidos.  "Para participar do projeto Família Pedrosa, a família pedestre, o leitor e o internauta podem recorrer a um bordão sempre que identificarem uma situação de desrespeito aos pedestres e cadeirantes nas ruas. Eles podem dizer: "Chama o Pedro". Será a senha para que a Família Pedrosa possa conferir a situação descrita e divulgá-la, cobrando uma resposta dos órgãos e pessoas responsáveis."  
Veja quais são os canais disponíveis para participar do Família Pedrosa, projeto do Pioneiro Ilustração: Charles Segat / Agência RBS/


As situações de desrespeito ao pedestre e ao cadeirante irão gerar um mapa digital que permitirá o acompanhamento de cada caso no pioneiro.com.





06/11/2015

Avenida Paulista aberta para pessoas aos domingos, quem é a favor?





 


      Em pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada no jornal Folha de São Paulo, 47% dos paulistanos são a favor da abertura da avenida Paulista para lazer aos domingos. Entre os mais jovens (16 a 24 anos), a aprovação à medida é de 57%, enquanto entre os entrevistados acima de 60 anos é de apenas 27%.
A abertura foi implementada pela prefeitura após testes de viabilidade técnica e os carros ficam proibidos de circular na via das 9h às 17h.

     A pesquisa Datafolha indicou ainda que a redução da velocidade máxima nas principais vias de São Paulo dividiu os entrevistados, com 47% a favor e contra a medida.
Analisando os resultados há um dado curioso: o maioria das mulheres (51%) é a favor e a maior parte dos homens (52%) não concorda com a redução.

paulista-ciclovia

Ver mais em Catraca Livre

13/11/2014

Esses holandeses

 
Daan Roosegaarde's Van Gogh Bicycle Path

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4N22WCm45zofP2nGxb3q3JYaOMP4yf5_soUECI-VZOfiOE8loBgn8AjdUbDegEy6TE5v8yFWpKSIJX20xi8Rljm1Yl9ANpdtUrWeJOonUfLMK1ZEuBBEmy9nnnhbsMcuRIIV25kMRIwrB/s400/Vangoghstarnight.jpeg
A Holanda inaugura ciclovias que brilham no escuro! A ciclovia é inspirada na obra de Van Gogh, Noite estrelada (ver aqui um post que fiz sobre essa obra). 



Mais informações sobre esse assunto aqui!

12/11/2014

Só vai melhorar...#SQN

Frota de veículos no Brasil deve crescer 140% em 20 anos

 Anfavea estima que a taxa de motorização no país sairá de 5,1 habitantes por veículo neste ano para 2,4 em 2034.

      Estudo elaborado pela Anfavea (Associação Nacional de Veículos Automotores) aponta que a frota de veículos no país, nos próximos 20 anos, crescerá 140% e atingirá a marca de 95,2 milhões de unidades. Em 2013 a frota era de 39,7 milhões. Com isso, a taxa de motorização passará de um veículo por 5,1 habitantes para um a cada 2,1 brasileiros. O levantamento considera a tendência de crescimento da população, do PIB, a taxa de motorização, a frota e os licenciamentos em cenários otimista, básico e pessimista.  A análise considera que a população chegará a 226 milhões, com crescimento médio de 0,5% ao ano. Já o PIB estimado para 2034, com aumento médio anual de 3%, é de US$ 4 trilhões, deixando o PIB per capita em US$ 17,9 mil.

    Mas onde colocar tantos veículos a mais? Ainda segundo o executivo, o que deve se concretizar no Brasil é a interiorização das vendas, ou seja, o aumento das frotas em cidades menores no interior do País. "No ano passado a frota de São Paulo, por exemplo, cresceu apenas 6%, enquanto a total brasileira aumentou 52%", conclui.

     Ainda assim, o Brasil está longe de países desenvolvidos como os EUA, por exemplo, cuja população é de aproximadamente 316 milhões de pessoas. Em 2012, o país registrou um PIB per capita de US$ 54 mil e taxa de motorização de 1,3 habitante por veículo.

 Mais informações aqui  e aqui!

29/10/2014

Nova York pretende zerar mortes no trânsito em dez anos




      E os nossos planos sobre o assunto? 

BigApps winners Jeff Novich and Josh Weitzman
Prefeito Bill de Blasio assinando lei Visão Zero.
                     Partindo da premissa de que nenhuma morte no trânsito é aceitável, NY segue os passos adotados pela Suécia em 1997, quando se estabeleceu  o projeto Visão Zero. Esse país estabeleceu objetivos ambiciosos buscando o fim de mortes no trânsito.
                          Entre as muitas metas e ações pensadas, talvez a mais eficaz e de resultado imediato seja o controle de velocidade. NY está REDUZINDO, isso mesmo! A capital do mundo (pelo menos do mundo ocidental) está repensando os limites (para menos) de velocidades de suas vias, pois, sabe que isso salvará vidas! 
                 
                     E nós, aqui no sul do mundo?
Pedestres em primeiro lugar de fato!




 BigApps winners Jeff Novich and Josh Weitzman



Mais informações aqui!


16/10/2014

Os 'apaixonados' por carros e o quadrado (revisit)*


    Tem aquela musiquinha pueril que diz: "...cada um no seu quadrado", já ouviram? Tenho certeza que sim, mas o fato é que muitas vezes o 'nosso quadrado' se expande tanto que acaba por se tornar um um verdadeiro latifúndo. Viver em sociedade é conseguir colocar em 'um quadrado' nossos interesses, valores, ideologias, ambições e frustrações. Viver em sociedade é saber que existem outros "quadrados". Relacionando ao trânsito: Cada indivíduio na sua, mas respeitando o espaço do outro. 
      Meu pensamento é simples: Respeito o outro para poder ser respeitado.

     Agora, nada impede que eu elabore críticas aos 'quadrados' vizinhos.  Um exemplo que sempre citei em aula é o fato de que muitas pessoas têm paixão por carros.  A mídia explora bem isso, vende e até cria slogans; " Apaixonados por carros, como todo brasileiro..." Ora, sou brasileiro, porém, nenhum pouco apaixonado por carros...

      Mas tudo bem, no meu 'quadrado' algumas coisas têm mais importância que outras. A vida em primeiro lugar, consequentemente, uma máquina não pode receber mais importância que as pessoas.  É bom lembrar ainda que a palavra paixão, segundo o dicionário* é algo levado a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e a razão (penso logo na imagem do cara aí de cima**). Tudo bem que a paixão nos cega, nos retira do mundo da racionalidade e nos faz verdadeiros bobocas. 
     Agora quando essa paixão não é por outro ser vivo, e sim a um pedaço de metal, convenhamos, temos que concordar que a sensatez passou por ali e foi embora...

    Nesse sentido, podemos entender melhor o porquê de tantas loucuras em nossas ruas. Pessoas matam e morrem pelos seus carros. Pequenos arranhões na lataria são encarados como ofensas imperdoáveis! 
Mas como somos 'brasileiros apaixonados por carros' tudo isso é compreensível, não é?

    É preciso pensar e ter em mente que um hobby (gostar de carros), não pode ser mais importante do que uma vida ou a convivência com o outro.  

Mas o sujeito que se diz apaixonado por um carro está cego (e surdo) de amor, portanto,  não aceitará sua doença e nos dira: " Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra"
.
O mundão louco...






Observação: Texto publicado originalmente em 20/08/2010.



* Novo Dicionário Aurélio.
** Do filme: O Iluminado.

07/10/2014

Fon-Fon, o trânsito no início do século XX no Brasil

      

                 A revista Fon-Fon circulou no Brasil na primeira metade do século passado. A publicação teve início em 1907 no Rio de Janeiro, capital então do país, e tinha um perfil descontraído, mesclando informação,  humor e política. Seu nome era uma onomatopéia do barulho produzido pela  buzina dos automóveis que já iniciavam sua 'invasão' nas ruas do Brasil.
    


    Em "pesquisas" nessa publicação é possível ver a mudança nos comportamentos de uma população urbana, mas com fortes influências do meio rural. Uma sociedade que ainda sofre a influência do longo período de monarquia e tenta se ver como uma República, com seus valores de igualdade ainda inscipiente... O espanto que esse novo meio de transporte gera e o status agregado ao seu uso já demonstra o papel que os .



Abaixo, uma 'crônica' ilustrada conta de forma bem humorada as peripécias do Coronel Bernardino no trânsito carioca. Isso tudo já em 1908 demonstrava o que se passava no imaginário da população e os impactos que 'vehiculos e chauffers' mal preparados podiam causar.

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_periodicos/fonfon/fonfon_1908/fonfon_1908_024.pdf


Mais em Hemeroteca digital brasileira.