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07/06/2019

Ainda sobre a segurança das crianças.

      Entre tantas bobagens que li e escutei  nos últimos dias sobre o assunto do uso das cadeirinhas, separei essa, logo abaixo, para pensarmos um pouco:

"O uso da cadeirinha não foi proibido, se você precisa de uma lei para fazer isso, o problema é seu e não do presidente..."

     Então, esquecendo um pouco as ideologias, vamos pensar e fazer uma breve reflexão? 
Podemos concordar que o Brasil, infelizmente, não tem a educação como um valor essencial à vida em sociedade, nem tão pouco incentiva e investe como deveria nesse tema? Caso concordemos nisso, estamos aptos para avançar um pouco mais.
Podemos concordar também que, diferentemente de outros povos, ainda precisamos melhorar muito nessa direção, dando a milhões de brasileiros a possibilidade de entender melhor o mundo a sua volta, conhecendo seus direitos e obrigações. Isso é consenso, não é?
      Caso essas premissas sejam aceitas, podemos entender também que, em um mundo ideal, a educação e os valores éticos que ela traz, deveriam servir de principal esteio nas ações do cotidiano do cidadão, isso inclui as regras de segurança viária. Tudo certo até aí?  
Mas agora o grande ponto é que não podemos esquecer que estamos em um país em que tudo isso está muito longe de ocorrer.
     Ainda precisamos (tristemente), de leis que punam, talvez, em um futuro isso possa ser revisto, talvez... Enquanto a educação não chega, não é possível abrir mão das pesadas multas. Matamos de forma insana no trânsito brasileiro. A ignorância mata e incapacita milhares todos os dias em nossas ruas e estradas.  Então, fica a dica:
        Pais conscientes, sigam fazendo o que devem, não se preocupem com a multa ou a lei. Mas, por favor, não fiquem perdendo seu tempo engrossando o coro dos irresponsáveis (somente esses devem temer a punição). 
     
   Sejam sérios e éticos. Afrouxar as regras de trânsito no Brasil é algo que só poderá ser pensado quando a educação for realmente efetiva (porém, o que vemos em países avançados é exatamente o contrário. Cada vez mais há um controle rigoroso). 
   Lembrem-se que  ainda precisamos de leis/estatutos de Proteção da Criança, do Idoso, da Mulher, do Meio Ambiente, do Índio, da Pessoa com Deficiência, da Igualdade Racial,  etc. Essas leis já denunciam a nossa incapacidade de um  bom convívio, será que seria preciso de uma lei para 'obrigar" a cuidarmos de nosso idosos, por exemplo? Isso não deveria ser algo lógico? 
   Caso fôssemos educados, todo esse aparato legal seria dispensável, mas lamentavelmente não somos. Provavelmente só a educação nos salvará, mas enquanto isso não ocorre, fica a pergunta: será que nesse momento acabar com essas leis resolveria algo, ou somente favoreceria aqueles que não são educados?


 

05/06/2019

Aqueles que bradavam por punições, agora pregam a impunidade.

O infrator de trânsito que denuncia a indústria da multa costuma ser o mesmo que discursa contra a impunidade.*


Como assim?





Com mudanças na CNH, especialistas temem mais acidentes fatais no País

Projeto de lei do governo dobra a validade da carteira de motorista e o número de pontos para cassação




 O ponto central das críticas é o aumento do limite de pontuação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que passaria de 20 para 40. “Apesar de aparentemente ser benéfico, ele só beneficia 5% da população, que são os chamados ‘infratores contumazes’, aqueles que mais tomam multa”, diz José Aurelio Ramalho, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária.
05 de junho de 2019 | 03h00





* Juremir Machado

03/06/2019

Da matriz à combustão para a matriz elétrica.



Texto do jornalista Ronaldo Lemos.

"O futuro do transporte é elétrico"

  Andar por cidades chinesas como Hangzhou e Shenzhen causa um estranhamento para quem é brasileiro. Ambas são megalópoles de 9 milhões e 12 milhões de pessoas. No entanto, o tráfego de veículos nessas cidades é curiosamente silencioso. 

Furgão itaipú E-400, da brasileira Gurgel. 1981. Segunda a fabricante, podia rodar 100km.

Os rãããããã e tssss que são constantes nas cidades brasileiras estão desaparecendo por lá. A razão é simples. Boa parte dos veículos é elétrica.

Tome-se o exemplo de Shenzhen. A cidade tem hoje 100% da sua frota constituída de ônibus elétricos. Só como base de comparação, Shenzhen tem 15.500 ônibus. São Paulo, 14.500. Em dez anos, a cidade aposentou a integralidade da frota a combustão. Com isso, adotou ônibus de última geração movido a baterias. Não há fios elétricos que ficam faiscando, nem motoristas desesperados tentando encaixar polos que se soltaram. E as baterias usadas são de fosfato de ferro, recicláveis.
Mas quanto custa carregar esses ônibus? Uma carga completa com autonomia de 300 quilômetros custa R$ 120. No caso dos carros, uma carga completa que permite circular por 400 quilômetros custa R$ 20. 
Converter a frota de veículos de uma cidade para elétricos cria um círculo virtuoso. Com sua disseminação surge uma nova infraestrutura capaz de armazenar eletricidade. Baterias podem ser carregadas a partir de qualquer fonte, seja na tomada ou por painéis solares. 
Cada dono terá incentivo para carregar seu carro fora do horário de pico para pagar menos. E também para comprar um painel solar (ou exigir que seu condomínio instale um). Com isso pode zerar seu custo de deslocamento. Mais do que isso, em casos de falta de energia, as cidades podem direcionar seus ônibus para hospitais e outros lugares críticos. A bateria de cada um funciona como um gerador móvel.
Os sinais de que o futuro do transporte é elétrico estão em toda a parte. Todas a montadoras estão lançando carros nessa modalidade. 
Só existe um lugar que tem aversão a isso: o Brasil. Em nosso país, os carros e motos elétricas são tributados de forma punitiva. Quem compra um carro elétrico no Brasil paga 50% de impostos...

 
Tecnologia de carro elétrico já no ano de 1905. EUA


Mais em: Folha de São Paulo, 03/06/2019.

31/05/2019


O mês de conscientização (maio amarelo) termina hoje, mas sua mensagem segue válida!
Segue Artigo da diretora institucional do Detran/RS,  publicado no portal GaúchaZH, em 07/05/19, e na edição impressa de Zero Hora, em 08/05/19.

     Foi no mês de maio que recebi o maior presente que uma mãe pode receber: um filho. Mas também foi no mês de maio que recolhi meu filho sem vida no asfalto de uma avenida de Porto Alegre. Diariamente, essa mesma dor incurável é sentida por pais, irmãos, familiares e amigos, que precisam aprender a suportar a perda inesperada de uma pessoa amada pela violência do trânsito.
Cerca de 1,3 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito anualmente no mundo – é quase como se uma Porto Alegre inteira deixasse de existir a cada doze meses. Em um esforço para conter esse intolerável número de perdas, a ONU instituiu a Década de Ação pela Segurança no Trânsito em maio de 2011. Ali nascia o Maio Amarelo, mês que passou a ser referência global para chamar atenção à causa. A cor amarela foi convencionada por remeter à noção de atenção no contexto do trânsito.
             O objetivo da ONU para a Década é desafiador para os governos e a sociedade: reduzir em 50% a projeção de mortes até 2020. No Rio Grande do Sul, embora observemos uma clara tendência de queda se considerados os últimos dez anos, não há o que se festejar. São muitas vidas, grande parte delas de jovens, perdidas em circunstâncias na maioria das vezes evitáveis, derivadas de comportamentos de risco.
               Ao Estado cabe tratar a questão de maneira consistente e continuada, com ações de prevenção calcadas na empatia e sensibilidade absolutas. Já aos motoristas, caronas, motociclistas, pedestres e ciclistas, cabe a compreensão verdadeira dos riscos envolvidos nessa teia de relações fugazes, mas potencialmente danosas, que representa o trânsito. Não podemos ter descanso, seja em maio ou em qualquer outro mês, seja nesta ou em qualquer outra década. O sinal amarelo continua aceso, e piscando, diante dos nossos olhos. Tenhamos todos atitude!

16/05/2019

Pedalando com deficiências ou lesões


    Segue um breve relato feito por um jornalista da Dinamarca, comentando a rotina de um ciclista que transita com frequência  pela cidade. Sempre é bom lembrar que todos podemos em algum momento de nossas vidas nos depararmos com uma redução de mobilidade. Um acidente, o avanço da idade ou mesmo um doença pode acarretar a diminuição ou mesmo a incapacidade de realizar alguns de movimentos. Nesse sentido, pensar uma cidade e meios de transporte possíveis de uso universal é de grande importância e sinal de um pensamento realmente democrático.


 "Eu vejo o homem na foto com bastante frequência. Ele anda de triciclo e só tem um braço. Um amigo meu o conhece e me disseram que ele também tem apenas uma perna. Ele perdeu seus membros em uma explosão de mina terrestre no país em que nasceu. Ele ainda fica com facilidade em suas rodas. Ambos os cavalheiros estavam impecavelmente vestidos."

Mais exemplos:




Slightly Disabled : "Ligeiramente incapacitado" :)
 


09/05/2019

Origens

   Muitos dos avanços tecnológicos que usufruímos em nosso cotidiano vieram, em sua origem, da indústria militar. O cinto de segurança, hoje de uso obrigatório em nossos automoveis, é um exemplo. Os primeiros testes de uso foram na aviação militar, onde se verificou a grande eficácia desse equipamento. Posteriormente, um engenheiro sueco, Nils Ivar Bohlin, aperfeiçoou o cinto como conhecemos atualmente.  Abaixo um registro de 1930, onde testes são feitos e provam a eficácia de seu uso para a preservação da segurança dos aviadores.

" Novo teste de segurança da aviação sendo feito. Testes conduzidos pelo Bureau of Standards indicaram que um aviador pode sofrer um pressão de aproximadamente 1.000 libras em seu cinto de segurança sem rompe-lo. A fotografia mostra M.M. Kiley do Bureau de pé ao lado da máquina usada em esticar os cintos até rompe-los."



 

 
Fonte: Biblioteca do Congresso Americano.   

06/05/2019

O futuro não é mais como era antigamente...


     Nas décadas de 1920 e 1930 a grande discussão, em termos de mobilidade, nos EUA era sobre como se deveria implantar a grande expansão da rede rodoviária pelo país. Nesse debate estava também incluso como se pagaria por esses investimentos. Além da implantação de uma cultura de adoração do bem patrimonial: "automóvel" e todas as implicações sócio-culturais ligadas a ele (liberdade, masculinidade, status social, desenvolvimento tecnológico, etc), havia um enorme interesse econômico que essa expansão poderia trazer. 
     A construção desse imaginário de um futuro promissor, baseado em um transporte de massas, mas de cunho individual moldou a cara da América do Norte e de boa parte do mundo. O preço dessa escolha se fez mais pesado em países pobres que não souberam (ou puderam) planejar suas cidades e estradas.  Mas notamos hoje (mesmo no berço desse pensamento) um redirecionamento dessa política.  O futuro que vislumbramos hoje é bem diferente do que tínhamos no passado, ainda bem.  





The Jetsons (em português Os Jetsons) é uma série animada de televisão produzida pela Hanna-Barbera, exibida originalmente entre 1962 e 1963.     




















Cartaz de propaganda: "As estradas deveriam ser de graça", durante os debates sobre a expansão da malha viária americana na década de 1920/1930. 











Mais aqui e aqui.

15/04/2019

Vamos acabar com os controladores de velocidade?

    Parece que estamos vivendo em uma realidade paralela... O problema é que as "otoridades" dessa realidade bizarra nos afetam na vida real! Pergunto: A quem pode agradar deixar de lado anos de confirmação de dados técnicos e estatísticos?  Deveríamos estar intensificando e aperfeiçoando essas medidas e não o contrário! Em muitos  países do mundo foi possível a redução drástica nos índices de mortes e feridos, em NENHUM deles verificamos que a retirada de equipamentos de controle foi um vetor de segurança viária.
     Então por quê afrouxar medidas até aqui tomadas e que geraram bons resultados? Estamos em um episódio de Black Mirror? Está parecendo que sim. Então que retirem os pardais, aumentem os pontos para favorecer os infratores, abram os portões do inferno!