"mas não uma patologia da mente de um indivíduo, mas sim uma patologia do espaço público, uma patologia da política: o esvaziamento e a decadência da arte do diálogo e da negociação" *
O infrator de trânsito que denuncia a indústria da multa costuma ser o mesmo que discursa contra a impunidade.*
Como assim?
Com mudanças na CNH, especialistas temem mais acidentes fatais no País
Projeto de lei do governo dobra a validade da carteira de motorista e o número de pontos para cassação
O ponto central das críticas é o aumento do limite de pontuação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH),
que passaria de 20 para 40. “Apesar de aparentemente ser benéfico, ele
só beneficia 5% da população, que são os chamados ‘infratores
contumazes’, aqueles que mais tomam multa”, diz José Aurelio Ramalho,
diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária.
O mês de conscientização (maio amarelo) termina hoje, mas sua mensagem segue válida! Segue Artigo da diretora institucional do Detran/RS, publicado no portal GaúchaZH, em 07/05/19, e na edição impressa de Zero Hora, em 08/05/19.
Foi
no mês de maio que recebi o maior presente que uma mãe pode receber: um
filho. Mas também foi no mês de maio que recolhi meu filho sem vida no
asfalto de uma avenida de Porto Alegre. Diariamente, essa mesma dor
incurável é sentida por pais, irmãos, familiares e amigos, que precisam
aprender a suportar a perda inesperada de uma pessoa amada pela
violência do trânsito.
Cerca de 1,3 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito anualmente
no mundo – é quase como se uma Porto Alegre inteira deixasse de existir a
cada doze meses. Em um esforço para conter esse intolerável número de
perdas, a ONU instituiu a Década de Ação pela Segurança no Trânsito em
maio de 2011. Ali nascia o Maio Amarelo, mês que passou a ser referência
global para chamar atenção à causa. A cor amarela foi convencionada por
remeter à noção de atenção no contexto do trânsito.
O objetivo da ONU para a Década é desafiador para os governos e a
sociedade: reduzir em 50% a projeção de mortes até 2020. No Rio Grande
do Sul, embora observemos uma clara tendência de queda se considerados
os últimos dez anos, não há o que se festejar. São muitas vidas, grande
parte delas de jovens, perdidas em circunstâncias na maioria das vezes
evitáveis, derivadas de comportamentos de risco.
Ao Estado cabe tratar a questão de maneira consistente e continuada,
com ações de prevenção calcadas na empatia e sensibilidade absolutas. Já
aos motoristas, caronas, motociclistas, pedestres e ciclistas, cabe a
compreensão verdadeira dos riscos envolvidos nessa teia de relações
fugazes, mas potencialmente danosas, que representa o trânsito. Não
podemos ter descanso, seja em maio ou em qualquer outro mês, seja nesta
ou em qualquer outra década. O sinal amarelo continua aceso, e piscando,
diante dos nossos olhos. Tenhamos todos atitude!
Parece que estamos vivendo em uma realidade paralela... O problema é que as "otoridades" dessa realidade bizarra nos afetam na vida real! Pergunto: A quem pode agradar deixar de lado anos de confirmação de dados técnicos e estatísticos? Deveríamos estar intensificando e aperfeiçoando essas medidas e não o contrário! Em muitos países do mundo foi possível a redução drástica nos índices de mortes e feridos, em NENHUM deles verificamos que a retirada de equipamentos de controle foi um vetor de segurança viária.
Então por quê afrouxar medidas até aqui tomadas e que geraram bons resultados? Estamos em um episódio de Black Mirror? Está parecendo que sim. Então que retirem os pardais, aumentem os pontos para favorecer os infratores, abram os portões do inferno!
Essa pergunta é antiga: quando seria possível acabarmos com os acidentes de trânsito? Esse questionamento, por muitos, é tido como uma possibilidade utópica, algo realmente impossível.
Mas o fato real, sabem aqueles que estudam a fundo o problema, é que a falha humana produz na imensa maioria dos casos os resultados catastróficos que conhecemos.
A indústria aeronáutica já demonstrou, em seu processo de redução contínua de acidentes, que a automação de rotinas e a adoção de tecnologias de segurança ativa e passiva tornaram voar, um dos meios mais seguros de locomoção.
Quando dominarmos uma tecnologia confiável e robusta no trânsito terrestre, atingindo 100% de automação nos deslocamentos, deixando o fator "humano" de fora do controle, poderemos sim chegar muito próximos da erradicação das mortes e dos feridos no trânsito. O caminho, penso eu será esse, vários países investem nesse sentido. O caso abaixo é mais desses exemplos.
Carros terão de ‘ler’ placas e reduzir velocidade sozinhos, prevê nova regra europeia
Os carros, vans, ônibus e caminhões novos vendidos em países europeus
terão de possuir um mecanismo para detectar o limite de velocidade da
via em que estejam e reduzir a marcha para se adequar à ele, segundo um
acordo aprovado de maneira provisória pela União Europeia nesta
terça-feira (26).
A medida ainda precisa passar por votação formal no Parlamento da
União Europeia e nos Legislativos nacionais, e está prevista para
entrar em vigor a partir de 2022.
De acordo com a nova regra, os veículos terão de possuir câmeras
capazes de ler as placas de trânsito e usar informações de GPS para
detectar a velocidade máxima em cada via por qual circulam e, assim,
adaptar-se a ela.
Ao detectar que o carro está acima do limite, o sistema soará um
alerta e reduzirá a velocidade automaticamente. O programa, chamado de
ISA (Assistente Inteligente de Velocidade), não acionará os freios, mas
reduzirá a potência do motor quando julgar necessário.
Nosso país já figurou entre as maiores malhas ferroviárias do mundo. Nossas características geográficas e o perfil de nossa distribuição populacional fazem o uso de ferrovias uma opção quase que inevitável (se olharmos pela perspectiva da lógica, algo não muito usado em nossa terra...).
O Brasil é, entre os países de dimensões semelhantes, o que menos utiliza o sistema ferroviário para o transporte de cargas.
Dados da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários)
apontam que, de cada 100 quilos de carga transportados no país, só 15
trafegam em linhas de trem. Outros 65 quilos são levados por rodovias e
20, por outros modais de transporte.
Os dados diferem de estudo apresentado em 2018 pela CNT (Confederação
Nacional do Transporte), que mostraram que as ferrovias transportam
20,7% das cargas no país, ante 61,1% do volume transportado por meio de
rodovias. A diferença, segundo a ANTF, é explicada pela metodologia.
Mas, independentemente do dado a ser utilizado, o índice é muito
inferior aos percentuais registrados em países como Rússia, Canadá,
Austrália, EUA e China.
Na Rússia, 81% das cargas são transportadas em linhas férreas, muito à
frente do índice canadense, de 46%. Na sequência aparecem Austrália e
EUA (ambos com 43%) e China (37%).
As rodovias só representam o principal meio de transporte no Brasil e na China –lá, com 50% do total.
EM ALTA
Apesar disso, de acordo com a ANTF, dados de 2017 mostram que a
produção ferroviária atingiu 375 bilhões de toneladas por quilômetro no
Brasil, alta de 170% em relação ao índice de 20 anos antes, quando as
ferrovias foram concedidas.
Embora o índice brasileiro de transporte de cargas por ferrovia seja
baixo, mais de 40% das commodities agrícolas chegam aos portos em trens.
No caso de minérios, o índice chega a 95%.
Entre os obstáculos para que o percentual cresça está a tímida malha
ferroviária, que hoje equivale à existente na década de 1920 –cerca de
29 mil quilômetros. E nem toda a extensão é utilizada.
Um estudo da CNT feito há cinco anos indica que, em valores
atualizados, são necessários R$ 1,25 trilhão para as obras de transporte
com o presente e o futuro do setor no país. No total, são 2.045
projetos de infraestrutura em aeroportos, ferrovias, rodovias e portos,
cenário difícil de se imaginar quando constatados os baixos
investimentos em infraestrutura.
Tudo é uma questão de escolha entre esses dois fatores. Na dúvida, penso eu, basta avaliar qual relação será mais favorável à segurança. Essa deverá ser a opção.
A simples proibição resolverá o problema? Negar a força da internet; Negar a nova realidade da super conectividade entre pessoas e empresas; Negar a 'nova' economia que surge em todo o mundo e que tem como base as plataformas digitais; Negar o movimento mundial de capilarização e pluralização de meios de transporte e mobilidade das pessoas é a melhor forma de resolver o 'problema" do UBER? Primeiro punir e reprimir para depois conversar? Essa será a melhor forma de resolver a situação?
Quem tem medo de novas formas de mobilidade? Quem tem medo de mudanças? Quem tem medo, tem medo por que pode piorar o sistema que aí está? Ou será que não é medo o que vemos e sim a velha e conhecida incompetência no trato das coisas de interesse coletivo?
A chegada do Uber em Porto Alegre era tão certa quanto os congestionamentos da Freeway no verão. Pergunto: Por que não foi feito antecipadamente pela prefeitura e nossos gloriosos vereadores um debate propositivo sobre o assunto?
EPTC e nobres vereadores, não sejam patéticos ao ponto de simplesmente proibir o Uber, por que esse aplicativo não será o último a surgir. Outros surgirão. Outras formas de oxigenar a mobilidade urbana serão criadas e perderemos a oportunidade de estabelecer uma 'rotina' positiva de avaliação desses aplicativos pelos órgão de gestão do trânsito. Alguma regulamentação é necessária, ok, pois, se trata de preservar a segurança dos usuários e um manter um certo controle da organização pública, mas proibir não deve ser a primeira ação. Conversar, ouvir a população (e não somente interesses classistas), olhar experiências pelo mundo e depois regulamentar e, caso necessário, por fim: punir quando preciso.
Projeto lançado pelo jornal Pioneiro valoriza o pedestre e demais usuários do trânsito que normalmente são esquecidos. "Para participar do projeto Família Pedrosa, a família pedestre, o leitor
e o internauta podem recorrer a um bordão sempre que identificarem uma
situação de desrespeito aos pedestres e cadeirantes nas ruas. Eles podem
dizer: "Chama o Pedro". Será a senha para que a Família Pedrosa possa
conferir a situação descrita e divulgá-la, cobrando uma resposta dos
órgãos e pessoas responsáveis."
As situações de desrespeito ao pedestre e ao cadeirante irão gerar um
mapa digital que permitirá o acompanhamento de cada caso no
pioneiro.com.
Partindo da premissa de que nenhuma morte no trânsito é aceitável, NY segue os passos adotados pela Suécia em 1997, quando se estabeleceu o projeto Visão Zero. Esse país estabeleceu objetivos ambiciosos buscando o fim de mortes no trânsito. Entre as muitas metas e ações pensadas, talvez a mais eficaz e de resultado imediato seja o controle de velocidade. NY está REDUZINDO, isso mesmo! A capital do mundo (pelo menos do mundo ocidental) está repensando os limites (para menos) de velocidades de suas vias, pois, sabe que isso salvará vidas! E nós, aqui no sul do mundo?
Tem
aquela musiquinha pueril que diz: "...cada um no seu quadrado", já
ouviram? Tenho certeza que sim, mas o fato é que muitas vezes o 'nosso
quadrado' se expande tanto que acaba por se tornar um um verdadeiro
latifúndo. Viver em sociedade é conseguir colocar em 'um quadrado'
nossos interesses, valores, ideologias, ambições e frustrações. Viver em
sociedade é saber que existem outros "quadrados". Relacionando ao
trânsito: Cada indivíduio na sua, mas respeitando o espaço do outro. Meu
pensamento é simples: Respeito o outro para poder ser respeitado. Agora,
nada impede que eu elabore críticas aos 'quadrados' vizinhos.Um exemplo que sempre
citei em aula é o fato de que muitas pessoas têm paixão por carros. A
mídia explora bem isso, vende e até cria slogans; " Apaixonados por
carros, como todo brasileiro..." Ora, sou brasileiro, porém, nenhum
pouco apaixonado por carros...
Mas
tudo bem, no meu 'quadrado' algumas coisas têm mais importância que
outras. A vida em primeiro lugar, consequentemente, uma máquina não pode
receber mais importância que as pessoas. É bom lembrar ainda que a palavra paixão, segundo o dicionário* é
algo levado a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e a
razão (penso logo na imagem do cara aí de cima**). Tudo bem que a paixão nos cega, nos retira do mundo da racionalidade e nos faz verdadeiros bobocas.
Agora quando essa paixão não é por outro ser vivo, e sim a um pedaço de metal, convenhamos,
temos que concordar que a sensatez passou por ali e foi embora...
Nesse
sentido, podemos entender melhor o porquê de tantas loucuras em nossas
ruas. Pessoas matam e morrem pelos seus carros. Pequenos arranhões na
lataria são encarados como ofensas imperdoáveis! Mas como somos 'brasileiros apaixonados por carros' tudo isso é compreensível, não é?
É
preciso pensar e ter em mente que um hobby (gostar de carros), não pode
ser mais importante do que uma vida ou a convivência com o outro.
Mas o
sujeito que se diz apaixonado por um carro está cego (e surdo) de amor, portanto, nãoaceitará sua doença e nos dira: "Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra" .
O mundão louco...
Observação: Texto publicado originalmente em 20/08/2010.
Os “parklets” foram criados em São Francisco, nos Estados Unidos, e
surgiram como forma de converter o espaço de estacionamento de automóvel
na via pública em área recreativa temporária. A ideia tinha aparecido por aqui
como um projeto que visava estimular a discussão das cidades para as
pessoas e o uso do solo com equidade. O resultado foi positivo e, agora,
o "parklet" faz parte de São Paulo.
"Nós conseguimos transformar uma ocupação do espaço em política pública", comemora Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde, que, em parceria com o Design Ok,
concretizou o projeto. "Agora, a Prefeitura vai publicar um manual de
como fazer um parklet e qualquer pessoa vai poder fazer o seu", explica.
Contra poluição alarmante, cidades francesas liberam transporte público gratuito
Após a poluição chegar a níveis alarmantes, o governo liberou o
transportes públicos gratuito na região de Paris e outras duas cidades
pelos próximos três dias a partir de sexta-feira.
Quase três quartos da França está sob alerta laranja do que a Agência
Europeia do Ambiente diz ser a pior poluição do ar desde 2007.
Segundo informações do jornal francês "Le Figaro" o alerta de poluição é causado pelo aumento das partículas finas inaláveis MP10 (nome científico), poluentes comuns na atmosfera e gerados pela combustão. Mais de 80 microgramas de PM10 por metro cúbico de ar foram verificados em 30 departamentos.
Carro bate contra árvore e motorista fica ferido no bairro Moinhos de Vento
Em outro caso, no Petrópolis, carro foi abandonado após choque contra poste e capotagem
Foto:
Diogo Zanatta / Agência RBS
O
fato é que ao usarmos a linguagem expressamos uma perspectiva única
sobre a realidade (o que não necessariamente confirma que as
coisas no mundo são da maneira como as enunciamos).
Nossa
interação linguística e subjetiva sobre o mundo é constante, isso
também é um fato. Estamos constantemente criando o mundo/sociedade
na qual estamos inseridos. Ao adotar determinado discurso lapidamos
'nossas verdades' e tentamos influir em 'verdades alheias'.
A
manchete: “Carro bate
contra árvore e motorista fica ferido...”
põe a 'culpa' nos carros e isenta o condutor de qualquer
responsabilidade sobre o fato. Dessa forma, deduzo, que para o
jornalista que fez tal manchete o “carro” é o culpado dos
ferimentos no pobre condutor...
Quando ocorre só nos resta lamentar, chorar, aceitar e resignar-se.
É a submissão paciente aos
sofrimentos da vida... O inevitável é assim, lógico, definitivo e
impositivo.
Em nossa organização socioeconômica,
a adoção de determinados valores éticos (e os seus desdobramentos
morais) nos leva a resultados, no mínimo, tristes.
Consumir é o motor da economia. Consumir
irracionalmente e com uma intensidade cada vez maior é o valor
cultural introjetado em todas camadas sociais e que gera resultados
já bem conhecidos, poderia dizer: inevitáveis.
No que tange ao trânsito, poderia citar o
'amor' aos carros (para aqueles que podem realmente colocar no mesmo
cesto seres vivos e inanimados como objeto de amor?!) que faz com que
pessoas gastem fortunas em compras desnecessárias (será que
realmente é preciso trocar
de carro todo o ano, ter motores super potentes para realizar
pequenos deslocamentos urbanos, etc) para as suas vidas
(mas extremamente necessárias para o fomento ao consumo).
Mais complicado ainda é o fato de associar
ao consumo determinado comportamento. Ora, todo
bom capitalista que se preze (sic), sabe que tempo é dinheiro, logo
quanto mais rápido, mais dinheiro. Quem é rápido faz mais
grana, tem mais sucesso, pode consumir mais e mais.
O consumo irracional e acrítico de produtos
(e seu valores) traz consigo também consequências.
Carros que são vendidos por atributos de velocidade e potência,
brinquedos, desenhos, músicas, filmes e inúmeros outros exemplos, nos revelam
que um trânsito violento não é algo inesperado. A associação de
valores como velocidade e trânsito gera todo ano (em todo o
mundo) milhares de mortos e feridos (outros fatores também contribuem, mas a cultura consumista e irresponsável da velocidade tem grande parte nesse problema).
Um processo de formação crítica do indivíduo
(educação em casa e na escola) e um Estado que preserve a vida dos
cidadãos (dando prioridade à vida e não aos carros e o consumo) é o caminho
para fugirmos do inevitável.
Tornar o inevitável em EVITÁVEL é o que nos
torna melhores. Esse paradoxo é possivel. Quando sabemos dos riscos e resultados de determinado
comportamento, será a nossa escolha que determinará se queremos rir
ou lamentar.