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27/09/2019

Pagar con la cara!


   "Entrar en un autobús de Madrid... y pagar con la cara"
 

 Sem inovações eficazes, constantes e pensadas diretamente na facilitação do acesso ao sistema, estaremos condenando o transporte de massas. O exemplo de Madri é uma dessas soluções possíveis. Em Curitiba, por exemplo, está sendo implementado "descontos" em horário de menor demanda. Administradores, acordem!


"Entrou, olhou para a câmera, pagou. Madri, capital da Espanha, inicia em outubro um teste de pagamentos das viagens de ônibus por reconhecimento facial.
Para usar este meio de pagamento, os passageiros precisarão baixar um aplicativo, fazer um cadastro com os dados de pagamento e tirar uma selfie. Assim, cada vez que passar no ônibus, o reconhecimento do rosto autoriza o débito da passagem na fatura ou conta do cartão cadastrado." Folha de São Paulo.

Em cidades chinesas já há o pagamento via reconhecimento facial.




Mais aqui.


04/04/2019

Transporte limpo

Resultado de imagem para double decker bus electric       Até 2041 a prefeitura de Londres pretende que 80% de todas as viagens dos londrinos sejam feitas a pé, de bicicleta ou de transporte público. O investimento em  políticas e tecnologias limpas nos levam a acreditar que isso será alcançado.
       No caso específico do sistema de ônibus, a nova frota, com emissão ZERO de poluentes, está em franca expansão, incluindo os famosos e modernizados double-decks . 
     Até o ano de 2037 toda a frota já deverá estar devidamente adaptada.



Mais informações aqui e aqui.

14/03/2019

Círculo vicioso

A cada ano temos menos passageiros pagantes no sistema de transporte público. Isso acaba por gerar uma tarifa mais pesada, pois são menos pessoas para pagar os custos. Na sequência, por ser cada vez mais caro e com menos pagantes, as empresas (e o poder público) não tem como qualificar e investir no sistema que se torna, a cada ano, pior. O usuário é 'expulso' pelo preço e qualidade que lhe é ofertado  O ciclo está completo e pronto para se repetir quando o novo aumento chegar.
Esse dilema se repete ano após ano e os resultados mostram a falência da mobilidade via transportes de massa. A cidade recebe esse impacto diretamente. Aumentam os congestionamentos, pois os que podem migram para os transportes individuais e os que não podem sofrem em longas caminhadas ou simplesmente não se deslocam. A poluição aumenta, o tempo de deslocamento também. A qualidade de vida, de modo geral decaí, isso todos notamos.
                                  Mas a cada ano  vemos a repetição desse ciclo. Por quê?

Seguem alguns dados que talvez nos mostrem por que chegamos nesse momento, peguemos o caso de Porto Alegre, que em outros momentos já foi referência em qualidade:


Pelos dados fornecidos pela EPTC, verificamos que:

Em 2007 foram transportador pelo sistema de ônibus um total de:  262.945.196 pessoas.
Em 2017 foram transportadas pelo sistema de  ônibus um total de:  265.961.740 pessoas. (+ 1,14%)

 Em 2007 do total de passageiros, eram pagantes integrais 234.229.092
 Em 2017 do total de passageiros, eram pagantes integrais, 170.918.291 (- 27,02%)


Quando analisamos esses números, temos uma surpresa! Não houve redução de passageiros! Em verdade houve até um pequeno incremento (+ 1,14%) no total de usuários no sistema. Mas o que notamos, isso sim, foi uma considerável redução  no total de pagantes!
Atacar os fatores de redução de pagantes integrais é ponto chave para reverter a situação atual. Mas isso é só um primeiro passo. Sem coragem de inovar, qualificar, investir o futuro bem próximo será de colapso. Somente quando encararmos como uma real prioridade o transporte público, sabendo que seu caráter é de cunho social (e também de cidadania), onde o lucro não deve ser o fator chave é que será possível uma solução.

Nenhuma descrição de foto disponível.

 Desde o Plano Real, em 1994, o ônibus em Porto Alegre já aumentou 1.170%. Enquanto isso, a inflação foi de 459%. Ou seja, se a tarifa tivesse sido reajustada pela inflação, hoje custaria apenas R$ 2,07 para andar de ônibus em Porto Alegre.

Mais informações Aqui e Aqui.


11/03/2019

Fora dos Trilhos

    Estação Atocha, Madri
  Nosso país já figurou entre as maiores malhas ferroviárias do mundo. Nossas características geográficas e o perfil de nossa distribuição populacional fazem o uso de ferrovias uma opção quase que inevitável (se olharmos pela perspectiva da lógica, algo não muito usado em nossa terra...).

Folha de São Paulo.


O Brasil é, entre os países de dimensões semelhantes, o que menos utiliza o sistema ferroviário para o transporte de cargas.
Dados da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) apontam que, de cada 100 quilos de carga transportados no país, só 15 trafegam em linhas de trem. Outros 65 quilos são levados por rodovias e 20, por outros modais de transporte.
Os dados diferem de estudo apresentado em 2018 pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), que mostraram que as ferrovias transportam 20,7% das cargas no país, ante 61,1% do volume transportado por meio de rodovias. A diferença, segundo a ANTF, é explicada pela metodologia.
Resultado de imagem para ferrovias no brasilMas, independentemente do dado a ser utilizado, o índice é muito inferior aos percentuais registrados em países como Rússia, Canadá, Austrália, EUA e China.
Na Rússia, 81% das cargas são transportadas em linhas férreas, muito à frente do índice canadense, de 46%. Na sequência aparecem Austrália e EUA (ambos com 43%) e China (37%).
Restos de ferrovia, abandonados. Caxias do Sul - Porto Alegre. Ano foto 2010

As rodovias só representam o principal meio de transporte no Brasil e na China –lá, com 50% do total.
EM ALTA
Apesar disso, de acordo com a ANTF, dados de 2017 mostram que a produção ferroviária atingiu 375 bilhões de toneladas por quilômetro no Brasil, alta de 170% em relação ao índice de 20 anos antes, quando as ferrovias foram concedidas.
Embora o índice brasileiro de transporte de cargas por ferrovia seja baixo, mais de 40% das commodities agrícolas chegam aos portos em trens. No caso de minérios, o índice chega a 95%.
Entre os obstáculos para que o percentual cresça está a tímida malha ferroviária, que hoje equivale à existente na década de 1920 –cerca de 29 mil quilômetros. E nem toda a extensão é utilizada.
Um estudo da CNT feito há cinco anos indica que, em valores atualizados, são necessários R$ 1,25 trilhão para as obras de transporte com o presente e o futuro do setor no país. No total, são 2.045 projetos de infraestrutura em aeroportos, ferrovias, rodovias e portos, cenário difícil de se imaginar quando constatados os baixos investimentos em infraestrutura.

 mais informações AQUI e AQUI.

07/12/2018

Transporte público, formas de patrocínio





Como sustentar o transporte público? Esse sistema deve (é possível?) dar lucro? Sugestões??

(Folha se São Paulo)
"Danielle Brant
Nova York
Caótica é uma boa palavra para definir a experiência que o turista que visita Nova York pela primeira vez tem no sistema de transporte por metrô. Os trens são, em sua maioria, antigos, sujos e lotados mesmo fora do horário de pico, reclamam os usuários.
Financiar um sistema que transporta mais de 5,5 milhões de pessoas por dia não é barato, mas um estudo sugere uma fonte alternativa de arrecadação que vai deixar não só passageiros, como um outro público, muito felizes: a legalização da maconha.
A ideia foi lançada por Mitchell Moss, Kelsey McGuinness e Rachel Wise, do Rudin Center for Transportation Policy & Management, da Universidade de Nova York.
Eles defendem que o sistema de metrô nova-iorquino precisa de uma fonte de receita extra com potencial de crescimento nas próximas décadas, e que não desvie recursos de outros serviços públicos, como educação.
“A legalização de cânabis recreativa ofereceria ao estado de Nova York uma oportunidade única para gerar um novo fluxo de receita voltada ao transporte de massa”, indica o estudo.
Os autores dizem que as compras ilegais de maconha no estado são estimadas entre 6,5 milhões e 10,2 milhões de onças (algo entre 184 e 290 toneladas), segundo relatório do Departamento de Saúde do Estado de Nova York.
A um preço de US$ 270 (R$ 1.050) a US$ 340 (R$ 1.320) por onça (28 gramas, aproximadamente), o mercado ilegal de maconha geraria de US$ 1,7 bilhão (R$ 6,6 bilhões) a US$ 3,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões) por ano pelo mesmo departamento.
Se houvesse uma taxação entre 7% e 15% sobre o produto, as receitas do estado poderiam variar de US$ 110 milhões (R$ 428 milhões) a US$ 428 milhões (R$ 1,66 bilhão) por ano"

Manifestação em Nova York nesta quinta (6) a favor do uso da taxação sobre maconha para ajudar no financiamento do metrô na cidade


Pessoas em estação de metrô

26/10/2018

Escolares sem condutores


     A NHTSA (Administração Nacional de Segurança de Tráfego nas Estradas, na sigla em inglês) determinou na segunda-feira (22) o fim do experimento realizado em Babcock Ranch, no sudeste na Flórida. “Usar um veículo inadequado para transportar crianças é irresponsável, inapropriado e viola os termos do acordo feito com a empresa”, disse a agência em um comunicado, segundo a agência Reuters.
A empresa que opera as vans é a francesa Transdev. Em março, ela obteve autorização para importar veículos autônomos e fazer testes e demonstrações. Para a NHTSA, esse acordo não previa o uso para transporte escolar. Mais informações aqui.

 

25/11/2015

Quem tem medo?

 A simples proibição resolverá o problema? Negar a força da internet; Negar a nova realidade da super conectividade entre pessoas e empresas; Negar a 'nova' economia que surge em todo o mundo e que tem como base as plataformas digitais; Negar o movimento mundial de capilarização e pluralização de meios de transporte e mobilidade das pessoas é a melhor forma de resolver o 'problema" do UBER? Primeiro punir e reprimir para depois conversar? Essa será a melhor forma de resolver a situação?
          Quem tem medo de novas formas de mobilidade? Quem tem medo de mudanças? Quem tem medo, tem medo por que pode piorar o sistema que aí está? Ou será que não é medo o que vemos e sim a  velha e conhecida incompetência no trato das coisas de interesse coletivo? 
      A chegada do Uber em Porto Alegre era tão certa quanto os congestionamentos da Freeway no verão. Pergunto: Por que não foi feito antecipadamente pela prefeitura e nossos gloriosos vereadores um debate propositivo sobre o assunto?
    EPTC e nobres vereadores, não sejam patéticos ao ponto de simplesmente proibir o Uber, por que esse aplicativo não será o último a surgir. Outros surgirão. Outras formas de oxigenar a mobilidade urbana serão criadas e perderemos a oportunidade de estabelecer uma 'rotina' positiva de avaliação desses aplicativos pelos órgão de gestão do trânsito. Alguma regulamentação é necessária, ok,  pois, se trata de preservar a segurança dos usuários e um manter um certo controle da organização pública, mas proibir não deve ser a primeira ação. Conversar, ouvir a população (e não somente interesses classistas), olhar experiências pelo mundo e depois regulamentar e, caso necessário, por fim: punir quando preciso.
   Vejo a situação do aplicativo em questão como a história da Hydra, cortem uma  cabeça e outras duas surgirão em seu lugar.

21/08/2014

Testes de colisão nos carros nacionais...

Palio e Onix recebem três estrelas em crash test. Latin NCAP avaliou compactos entre os mais vendidos do Brasil, além do Peugeot 208, que recebeu quatro estrelas.

 Mais em Latincap, olha lá.

 

08/08/2013

Chineses mostram que é possível pensar diferente

     Pensar diferente, como já havia comentado,  é o que falta quando falamos em transporte público. A forma de gestão pública e privada necessita de oxigenação e novas perspectivas. A organização da sociedade não é a mesma de 40 ou 50 anos, o tempo trouxe mudanças no estilo de vida e as cidades têm novas conformações. No entanto, essa percepção parece não ter chegado aos operadores dos sistemas de transporte e o preço que pagamos é o caos diário em nossas ruas.
     Um bom exemplo, quando falo em pensar diferente, é a iniciativa chinesa que propõem 'matar dois coelhos com um tiro só', ou seja: reduzir dejetos poluentes (garrafas pet) e tornar acessível a mais pessoas o deslocamento no transporte público! Veja a reportagem que segue.
Máquina chinesa incentiva reciclagem e uso do transporte público

    Os usuários do metrô de Pequim, na China, podem pagar suas passagem de metrô com garrafas PET. Duas estações já possuem postos de troca e o objetivo é estender o projeto para todas as paradas do metrô e pontos de ônibus da cidade.
As máquinas carregam valores de acordo com o tamanho e tipo da garrafa. Com aproximadamente 15 garrafas, é possível se locomover por todas as oito linhas e as 105 estações disponíveis.

O projeto surgiu para tentar melhorar problemas da capital chinesa como a poluição, trânsito e lixo. A ideia é incentivar as pessoas a utilizarem o transporte público. O governo chinês também quer reciclar 70% dos resíduos até 2015.


Esse aí ter passe livre por um bom tempo!


 
Fonte: site catraca livre.

16/07/2013

Verbo SER

Verbo Ser

Carlos Drummond de Andrade   

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer. 


  O que você vai ser quando crescer?

Essa pergunta traz consigo bons questionamentos. Vejam bem, parto do princípio que já SOMOS alguém desde sempre. Não será em um futuro indeterminado que se dará a conquista da individualidade, isso qualquer criança já possuí, pois ela não será "alguém", ela é.  Nesse sentido, entendo que já sou "alguém" então, me basta poder construir, reinventar e transformar-me com minhas experiências, não separando passado e futuro, mas os entendendo como desdobramentos de nossa constituição. Drummond questiona: "Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?  Ou a gente só principia a ser quando cresce?"

     No futuro serei diferente do ser de hoje, isso é certo. No entanto, a pessoa que serei no futuro somente existirá por que foi construído no alicerce do eu de hoje!

     Quando pensamos em educar crianças como "motoristas do futuro" cometemos um equívoco. Não que ser motorista constitua em um crime, não é isso. O fato é que projetamos um futuro que limita as opções de escolha dos pequenos. Eles, não podemos esquecer, já são partes do trânsito! Eles já transitam pelas ruas, calçadas e rodovias desse nosso país. No futuro, com certeza eles continuarão por aí, mas talvez não sejam somente motoristas...

    Eles, já são seres que precisam de orientações (como transitar a pé, em bicicletas, como passageiros, uso do cinto, cadeirinhas, etc) e não "futuros qualquer coisa".

   Motoristas do futuro NÃO! 

   Pessoas do aqui e agora, que precisam de orientações de segurança e mobilidade. Orientações para que no futuro (caso seja necessário) quando resolverem dirigir, essas crianças não tenham que, relembrando o poeta, perguntar:  "Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?"    Essas crianças, quando crescerem não devem mudar para serem motoristas. Devem ser elas mesmas, aquelas mesmas crianças que aprenderam uma educação de trânsito que as tenha ensinado a ter atenção aos riscos da rua, respeito aos mais frágeis, solidariedade e valorização da segurança. Isso ocorrendo, não precisaremos nos preocupar em formar "motoristas do futuro" eles estarão prontos desde sempre!    

 

 

21/05/2013

Debate atrasado, demasiadamente atrasado...

Inseguros a qualquer velocidade! Carros no brasil (minúsculo mesmo!) são armadilhas.
Para variar, aqui no país da Copa, estamos começando um debate que está atrasado, no mínimo, uns 50 anos! Ralph Nader, nos anos 60, denunciou que nos EUA os veículos eram: "Unsafe at Any Speed", ou seja: Inseguros a qualquer velocidade. A denúncia sobre o descaso da indústria com relação às mortes e traumas que os carros estavam gerando causou enorme impacto na forma de pensar a segurança automobilística pelas indústrias. As megamontadoras foram obrigadas a conjugar lucro e segurança desde então. Mas aqui, no país da Copa e da Olimpíada o lucro fala mais alto. Aqui, a vida não tem valor, ou melhor, vale bem menos que a vida de um americano, ou europeu... Veja o que diz aLatin ncap: " um airbag custa míseros 50 dólares para ser produzido, ou seja, sua vida vale no máximo US$49,99". E mesmo assim esse equipamento não é adotado em toda a frota nacional. A indústria está se lixando e o governo desde muito tempo já sabe que nossos carros são carroças (Collor que o diga). No entanto, nada foi feito com a intensidade que se deve. Até mesmo um bom carro, como o Toyota Corolla vendido na Europa NÃO é mesmo vendido no Brasil! Os resultados dos testes de segurança são diferentes.
O europeu obteve 5 estrelas para adulto (incluindo os testes que não são feitos aqui) e 4 para criança, diferente do daqui com 4 estrelas adulto e UMA para criança. Triste, muito triste não é verdade?
Mais em: http://gearheadbanger.com/2012/01/03/inseguro-a-qualquer-velocidade-nossa-seguranca-parou-no-tempo/


09/04/2013

Aprender (esquecer)

Rubens Alves diz que: "O aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento fez o seu trabalho." Concordo plenamente! 
No meu caso, em especial, o esquecimento trabalha de forma quase desumana, sem cessar. As vezes penso que deveria negociar uma redução de carga horária com essa figura, mas infelizmente não consigo nunca marcar essa reunião...
Não penso que seja tão ruim assim esquecer certas coisas, acredito inclusive que tenhamos mais benefícios que problemas com a nossa produção em séria de esquecimentos. O 'esquecimento seletivo'  é uma espécie de sistema de proteção de nossa saúde mental. Imaginem a quantidade de bobagens a que estamos expostos diariamente, poder esquecer é uma dádiva! 
O problema é quando esse sistema de proteção da saúde mental começa a entrar em colapso e sai apagando de nossa memória saberes e APRENDIZADOS. Nesse caso, como uma doença autoimune, aquilo que poderia ser bom, passa a ser um grave problema. 
Em resumo, esquecer algumas besteiras, ok! Esquecer aquilo que aprendemos e torna a nossa vida melhor, não! 


     Quando falamos de nosso transporte público, mais especificamente dos ônibus, verificamos que a forma de gestão/administração desse sistema é praticamente a mesma nos últimos 40 ou 50 anos. Desenvolvemos uma expertise, um acúmulo de saberes e essa forma (ou fórmula de gerir) se repete por décadas a fio, com um ou outro pequeno ajuste. A crítica que faço é que realmente APRENDEMOS UMA FORMA de administrar os sistema de ônibus, mas não podemos ESQUECER que mudar é uma necessidade, uma questão de sobrevivência...

Achava-se (e ainda muitos acham) que:

   Os usuários de transporte público não teriam outra opção, a não ser usar o ônibus;
   Os investimentos nas vias sempre poderiam ser ampliados;
   O preço da tarifa do ônibus deveria poder pagar todos os custos de operação;
   Os usuários não tinham poder de organização;
   A qualidade não era um dos principais fatores levados em conta pelos usuários;
   O transporte público é um mal necessário;
   O transporte público é para a população menos abastada (pobre).

 Mas é preciso lembrar que:

  O usuário na verdade é um cidadão/cliente;
  A concorrência com o carro é desleal e insustentável a longo prazo;
  As vias públicas tem limite de expansão e investimento;
  Os custos do não uso do transporte público são maiores do que o de seu uso;
  A população/sociedade organizada pode e deve influir na gestão do transporte;
  Sem qualidade não há transporte público viável;
  A forma de gestão atual do transporte público chegou a seu limite, novos modelos são urgentes.

      É hora de novos aprendizados, novos saberes estão sendo construídos em várias partes do mundo na forma de pensar a mobilidade. É o momento de falar e colocar em prática outros paradigmas. Por exemplo:

"A ideia de gratuidade no transporte vai contra tudo o que nos disseram sobre o assunto aqui no Brasil, a saber: sem pagamento, o sistema ficaria sem recursos, e em algum momento se tornaria inviável. Mas existem teóricos e administradores públicos que defendem que é economicamente viável – ou até preferível – que as pessoas não paguem por ele.
As vantagens de não se cobrar pelo uso de trens e ônibus são várias: promoção de uma certa justiça social, já que o peso do pagamento de transporte público é grande para a população mais pobre, que é a que mais precisa dele; redução da emissão de poluentes; menos poluição sonora; redução do uso de combustíveis fósseis; diminuição dos gastos em obras viárias, já que o carro seria menos necessário; aumento do uso do espaço público, pois as pessoas precisariam andar mais nas ruas para usar o transporte; eliminação dos gastos com o sistema de cobrança, entre outras.
Em Châteauroux, cidade de 49 mil habitantes, a média de uso do ônibus era de 21 viagens por ano, contra uma média de 38 em outras cidades pequenas da França. Depois da implementação da gratuidade, esse número saltou para 61 viagens por ano. Em Hasselt, o uso do transporte público subiu mais de 1000% desde que passou a ser gratuito." fonte: pragmatismo político

  
  Quanto maior a mobilidade em uma cidade maior é a oxigenação da economia, da política dos direitos e das possibilidades de crescimento de seus cidadãos. Novas perguntas nos levarão a novas respostas e novas soluções somente serão possíveis se tivermos a capacidade de esquecer o modelo atual e constituir algo novo em seu lugar.


19/08/2011

Quem paga o pato no transporte?




Quando o transporte público não funciona, quem paga o pato?
Quando trens não funcionam, ruas entopem de carros, ônibus superlotam quem paga o pato?
Quem???

07/10/2010

MAS QUE INVEJA!

A EUROPA: A malha ferroviária da Europa é composta por mais de 280 mil quilômetros e seus trens, além de rápidos, são muito confortáveis, pontuais e econômicos, sendo possível atravessar de um país a outro em poucas horas. Somente na Suiça, foram 322 milhões de passageiros em 2008!

NO BRASIL: Não existem mais trens regulares de passageiros, tirando apenas duas exceções (os trens da Vale do Rio Doce, Belo Horizonte-Vitória e São Luiz-Carajás) e uns poucos trens metropolitanos. Os dados do Anuário Estatístico dos Transportes Terrestres mostram que em 1996, eram 4,3 milhões de passageiros e em 2005, foram apenas 1,5 milhão nas poucas linhas que ainda resistem.

São exemplos extremos, mas pelas nossas características geográficas não usar massivamente o trem como meio de transporte de cargas e pessoas é, no mínimo, uma falta de inteligência! O preço de instalação de uma ferrovia é considerado alto somente para aqueles que não conseguem ver a médio e longo prazo. A Europa e muitas outras regiões do mundo provam que esse é um meio de transporte que se paga. Economia e redução de tempo nos deslocamentos, de emissão de poluentes e diminuição de acidentes são apenas alguns dos seus pontos positivos. Hoje (ver notícia link abaixo) foi divulgado um grande investimento pelos britânicos (US$ 1,1 bilhão) em trens de alta velocidade para aquele país. E nós, aqui no sul do Brasil, levamos mais de trinta anos para completar um trecho de 30 km de um trem metropolitano!

Que inveja!



P.S.: A inveja é uma merda!!!


* notícia:

24/08/2010

Abraçando a vida



Existem discussões a respeito da eficácia ou não de campanhas educativas no trânsito. Penso que em boa parte das vezes o que acontece é um grande desperdício de tempo e dinheiro, pois, a complexidade das variáveis envolvidas nas questões de trânsito requer bem mais do que distribuição de folderes e algumas poucas vinculações de propagandas na televisão e no rádio. As soluções de nossos problemas nessa área, passam necessariamente, pela adoção de medidas simultâneas e permanentes em vários pontos como, por exemplo: Sistema coercitivo (leis e fiscalização), Sistema educacional (formação de condutores e população em geral) e Sistema econômico-social (mudança de cultura comportamental e de consumo).
Mas no caso em questão (campanhas educativas) outro problema, talvez mais importante ainda, é que essas ações de publicidade, via de regra, não conseguem estabelecer nenhum tipo de comunicação eficaz com a população. As pessoas não são 'tocadas' pelas mensagens que: Ou têm um caráter moralista e coercitivo (não faça isso, não faça aquilo...); Ou simplesmente reforçam aquilo que todos já sabem (não exceda a velocidade, respeite os pedestres, etc.).
Informar nunca é demais, porém, é necessário saber 'tocar o outro com a mensagem desejada, sem isso não há comunicação.
Um exemplo positivo do que digo é o trabalho realizado pela Sussex Safer Roads (SSR), organização inglesa empenhada em propiciar um trânsito seguro, levando em conta a ação integrada entre fiscalizar, gerenciar adequadamente o sistema viário e educar constantemente a toda população. Abaixo deixo o link de um vídeo que avalio como digno de prêmio pela sua criatividade. A SSR prova que é possível ser bem sucedido em uma ação de informação e educação de trânsito, olhem, é uma mensagem preciosa.

18/05/2010

Até que enfim!

Algo que deveria ser cobrado desde sempre é o transporte correto de crianças em veículos automotores, porém, somente agora é que está sendo colocado em ação, de forma mais efetiva, o que nossa legislação preconiza há um bom tempo. O que faltava era o detalhamento da lei, pois, o Código de Trânsito já exigia que crianças menores de dez anos fossem transportadas nos bancos traseiros e utilizando, se não os cintos de segurança, equipamentos equivalentes de retenção. Essa especificação detalhada levou quase dez anos para acontecer! Bom antes tarde do que nunca...
A resolução que tratou do tema ( 277/2008) previu a cobrança a partir de Junho de 2010 da correta utilização de dispositivos de segurança para os passageiros menores de dez anos. Veja mais em: http://www.eusoulegalnotransito.com.br
Até que enfim, os pequenos mereciam essa atenção!