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09/03/2012

Canal navegável

"Pontes navegáveis são construções raras de se encontrar no mundo – o que já faz de qualquer uma atração imediata. Se estivermos falando da maior do planeta então, o encanto se multiplica. Localizada na Alemanha, a Wasserstrassenkreuz possui a estrutura de um aqueduto – como o da Lapa, no Rio de Janeiro -, mas foi projetada para ser cruzada por grandes embarcações.
Inaugurada em 2003, e medindo um total de 920 metros de comprimento, a maior ponte navegável já feita pelo homem conecta dois canais – o Elbe-Havel e o Mittelland – ao passar por cima do Rio Elba, um dos mais importantes da Europa, próximo à cidade de Magdeburg."


 mais em: http://casavogue.globo.com/arquitetura/canal-navegavel-cruza-por-cima-rio-alemao/

21/10/2011

O primeiro carro em Porto Alegre

A foto acima, quase desconhecida, foi garimpada pela fotógrafa Eneida Serrano no acervo de um pioneiro fotógrafo amador, no Rio Grande do Sul, que usava o pseudônimo de Lunara. Provavelmente o “retratista” preparou a câmera para que alguém batesse a foto e ele pudesse aparecer, refestelado e comodamente alojado, no banco traseiro (bem à esquerda) do primeiro automóvel a circular nas ruas de Porto Alegre.

O carro, um De Dion Bouton 1906, foi importado da França naquele ano por Januário Grecco (sentado no banco dianteiro, ao lado do irmão), um próspero comerciante de alimentos que representava as Indústrias Matarazzo de São Paulo aqui no Estado. Lunara, amigo de Grecco, era a composição das três primeiras sílabas do nome do destacado empresário Luiz Nascimento Ramos (1864 – 1937), que também trabalhava com secos & molhados e tinha na fotografia seu hobby predileto.

Quando o automóvel foi desembarcado do navio, no cais da Alfândega não havia quem soubesse manejá-lo. O proprietário teve de recorrer aos préstimos de um detento da Casa de Correção, Marini Constanti, italiano e familiarizado com mecânica e operação de veículos motorizados.

O carro foi empurrado até o Cadeião do Gasômetro e, dentro do pátio da penitenciária, foi acionado pela primeira vez. Marini ganhou autorização para sair algumas vezes do presídio, como motorista dos Grecco.

A Capital tinha 70 mil habitantes e nessa época o Código de Veículos de 1893 não previa o transporte motorizado. Em 1913, já com 188 automóveis registrados, a lei foi regulamentada: tornou-se obrigatório o uso de lanternas à noite e de buzina a cada esquina, e a velocidade máxima permitida era de 6km/h no centro, 10km/h nos bairros afastados e 15km/h fora da cidade.

Hoje, 708 mil carros ocupam as ruas do município. Felizmente nem todos buzinam nas esquinas.

Mais em: Almanaque Gaúcho

Fonte: Almanaque Gaúcho. ZH dia 21/10/2011

28/08/2011

Nem por UM MINUTO!!


Ótima produção,

O uso indevido de vagas destinadas a pessoas com deficiência em estacionamentos de estabelecimentos – que resultou no lançamento da campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto” em meados de março deste ano – é o foco do vídeo que a agência TheGetz colocou no ar neste fim de semana nas redes sociais.

Como a principal desculpa para a ocupação de vagas exclusivas para deficientes e idosos é sempre a do pouco tempo de permanência no estabelecimento, o “apenas um minuto”, a TheGetz colocou cadeiras de rodas em vagas normais e registrou a reação das pessoas em um estacionamento de Curitiba. O resultado é o vídeo que pode ser visualizado nas páginas da campanha no Facebook, Twitter, Youtube e Vimeo. O filme também pode ser acessado pelo blog do movimento.


19/08/2011

Quem paga o pato no transporte?




Quando o transporte público não funciona, quem paga o pato?
Quando trens não funcionam, ruas entopem de carros, ônibus superlotam quem paga o pato?
Quem???

06/08/2011

Nossa casa no meio da rua

Esses dias, vendo televisão, reparei naquela propaganda da Citroen (C3 Picasso) que traz uma música em inglês ilustrando a peça publicitária. A música (Our House in the Middle of the Street) em questão diz no refrão, em livre tradução: "Nossa casa no meio da rua...). Entendo que os publicitários queriam reforçar os aspectos de conforto e o perfil familiar do carro, mas me chamou mais a atenção os aspectos subjetivos presentes nesse tipo de publicidade automotiva. O carro, sabemos bem, é muito mais que um patrimônio material para boa parcela das pessoas. Um carro é status, signo de prosperidade pessoal e as vezes também serve "até como meio de transporte...". Ver o carro como estensão da casa é o que tem gerado muita confusão nas cabeças menos atentas. Condutores portando-se em seus veículos como se em casa estivessem: Comem, bebem, falam ao telefone, fazem barba, cabelo e bigode ao volante, afinal o carro é nossa casa também, não é ?!

05/08/2011

O frio!!!



Transitar pela Serra gaúcha nos últimos dias tem sido um ato de coragem e persistência...

(tá bom, exagerei um pouco, mas que tá frio ninguém nega, hehehe)

24/06/2011

DESCONSIDEM AS “ASPAS” (parte 1).

Um grupo de manifestantes, irritados com a situação de nosso trânsito, protestava aos gritos em uma grande avenida da cidade. A tranqueira que isso ocasionava era de pelo menos três quilômetros de carros, ônibus e caminhões. As buzinas gritando e os xingamentos dos motoristas só aumentavam ainda mais a barulheira vinda do protesto insólito que acontecia. Os manifestantes, com ares, olhares e  atitudes quixotescas gritavam: Abaixo à poluição, menos carros, mais amor e menos rancor! Andar a pé é muito bom; Viva aos pedestres, Viva a bicicleta e o transporte público!

     Em meio a esse grupo, estava eu, procurando fazer a minha parte como bom defensor que sou de um trânsito mais humano, seguro e sustentável. Ao conversar com um colega “rebelde” como eu, ressaltava a necessidade de “mudar nossos” paradigmas: "Precisamos buscar novas propostas de vida e mobilidade, as nossas cidades estão morrendo, estão morrendo cara! Cada um tem que fazer a sua parte..."  Nesse momento lembrei de um exemplo que conhecia, um grande amigo, que já há um bom tempo “nadava contra a maré” e resistia às “bestas máquinas bebedoras de petróleo”.
Cael Rojo, ou somente Kbça, era assim que os amigos o chamavam desde o tempo de escola*. "Esse maluco era um exemplo a ser seguido", dizia eu. Mesmo tendo possibilidade financeira para adquirir um carro o sujeito ainda optava pelo transporte público, pela bicicleta e uma boa caminhada. (em uma cidade sem ciclovias, com calçadas esburacadas e com ônibus caros, isso o tornava mais "especial" ainda!).
O cara era tão firme em suas convicções que nem mesmo celular tinha, e isso que a sua namorada já havia lhe dado uns dois aparelhos de presente. Ele achava que os celulares eram como os carros, haviam sidos feitos inicialmente para ganhar tempo e dar liberdade aos seus usuários, mas na verdade essas máquinas escravizavam as pessoas e tiravam suas autonomias. Quase todos os infortúnios de sua vida estavam ligados em maior ou menor grau e esses objetos os quais repudiava. Ninguém podia negar que ele tinha uma boa dose de razão em não querer ser consumido por carros e celulares.
   Certa vez, ao chegar em seu serviço, começou a ouvir um barulhinho lá no fundo de sua mochila (Cael levava sua vida naquela mochila, era uma versão masculina das caóticas e bagunçadas bolsas femininas), ao remexê-la por vários segundos acabou vendo um celular tocando e vibrando. Pegou o aparelho, atendeu, disse duas ou três frases e desligou, sua namorada na época, a “Lindinha”, havia esquecido ou "perdido" o telefone em sua mochila. Para Cael Rojo aquele momento reforçou ainda mais seus 'asco' pelo celular. Vejam a sua infelicidade, a ligação que atendeu revelava que sua amada “Lindinha” tinha outros “amigos”. O namoro acabou e os celulares foram excomungados definitivamente pelo meu amigo, pobre Kbça....

Mas fora essas idiossincrasias, ele era bem "normal", pelo menos eu achava. Em resumo, Cael tinha um bom emprego em uma repartição pública, tomava uns tragos com os amigos nos finais de semana, fazia mestrado na UFRGS, jogava uma bola e arranjava umas namoradinhas bem jeitosas de vez em quando (apesar de nunca ter superado completamente o que “Lindinha” havia feito a ele). Reforçando meu pensamento, poderíamos dizer então que ele era um cara “normal”, a não ser pelo fato de que ele se recusava a dirigir e ter celular. Para muitos pareceria pouco, mas isso para mim bastava para torná-lo meu “herói”. Ele era a prova viva de que existia vida sem o celular e carros, ele era “o cara”... continua, espero....







* O tempo de escola é outra história a ser escrita. Nessa época não tínhamos carro, mas circulávamos toda a cidade, a pé e de ônibus. Desejávamos ardentemente um carro para fazer tudo aquilo que já fazíamos... outros tempos, outras velocidades

Rir para não chorar

10/06/2011

Amigos

*Quando digo a palavra amigo
minha alma abre os postigos.
Amigo é um código sem artigos.
É um sentimento tão mais recente
quanto mais antigo.

Amigo não chega na hora da colheita.
Vem plantar o trigo.
Amigo que é amigo desafia as leis do tempo
e do espaço. Viaja no vento, longe, está contigo...

Passar por essa existência sem amizades verdadeiras seria algo extemamente triste. Que bom que exitem os amigos que nos acompanham pelos caminhos que trilhamos. Admiro as amizades, elas são a prova de que a humanidade brilha em nós.


* CANÇÃO DO AMIGO - De Luiz Coronel

31/05/2011

Consulta dos níveis de emissão dos veículos novos brasileiros.


Já existe, desde 2010, a possibilidade de compararmos o nível de poluição e eficiência energética dos carros fabricados no Brasil. O INMETRO faz o teste e coloca a disposição para quem quiser saber e/ou comparar como estão nossos veículos. Existe uma normatização determinando que esses valores sejam divulgados e até um selo, como esse ao lado, seja posto nos automóveis para que a população saiba o tipo de produto está adiquirindo. O passo seguinte, penso eu, seria o governo abrir a mão de parte dos impostos (sonha Marcelo!) para aqueles veículos que fossem mais eficientes, fomentando asim que a nossa frota se tornasse menos poluente. De qualquer forma, é no mínimo curioso, saber se seu carro está bem ou mal classificado.






http://servicos.ibama.gov.br/ctf/publico/sel_marca_modelo_rvep.php

26/05/2011

Automovelcracia III: O anjo exterminador

por eduardo Galeano.


Em 1992 houve um plebiscito em Amsterdã. Os habitantes desta cidade holandesa decidiram reduzir à metade o espaço, já bastante limitado, ocupado pelos automóveis. Três anos mais tarde, foi proibido o trânsito de carros particulares em todo o centro da cidade italiana de Florença, proibição essa que incluirá a cidade inteira à medida que se multipliquem os bondes, as linhas de metrô, os calçadões e os ônibus. Além, é claro, das ciclovias: dentro de pouco tempo será possível atravessar toda a cidade sem riscos, pedalando num meio de transporte que custa pouco, não gasta nada, não invade o espaço humano nem envenena o ar.


Enquanto isso, um relatório oficial confirmava que os automóveis ocupam um espaço bem maior do que as pessoas na cidade norte-americana de Los Angeles, mas lá ninguém pensou em cometer o sacrilégio de expulsar os invasores.
A quem pertencem as cidades? – Amsterdã e Florença são exceções à regra universal de usurpação. O mundo foi motorizado velozmente, à medida que as cidades e as distâncias cresceram, e os meios de transporte público abriram caminho para o automóvel particular. O presidente francês Georges Pompidou exaltou esse movimento dizendo que “é a cidade que precisa se adaptar aos automóveis e não o inverso”. Mas suas palavras ganharam um sentido trágico quando foi revelado que as mortes por poluição na cidade de Paris aumentaram brutalmente durante as greves do final do ano passado: a paralisação do metrô multiplicou as viagens de automóvel e esgotou os estoques de máscaras antipoluentes.

Na Alemanha, em 1950, trens, ônibus, metrôs e bondes transportavam três quartos da população; hoje, levam menos de um quinto. A média européia caiu para 25%, o que ainda é muito se comparado aos Estados Unidos, onde o transporte público atinge apenas 4% do total. Henry Ford e Harvey Firestone eram amigos íntimos, e ambos se davam extremamente bem com a família Rockefeller. Essa afeição recíproca desembocou numa aliança de influências que esteve diretamente relacionada com o desmantelamento das linhas de trens e a criação de uma vasta rede de estradas, em todo o território norte-americano. Com o passar dos anos, nos Estados Unidos e no mundo inteiro, tornou-se cada vez mais esmagador o poder dos fabricantes de automóveis e de pneus,e dos industriais do petróleo. Das sessenta maiores empresas do mundo, metade pertence a esta santa aliança ou está de alguma forma ligada à ditadura das quatro rodas.

Dados para um prontuário – Os direitos humanos terminam onde começam os direitos das máquinas. Os automóveis emitem impunemente um coquetel de substâncias assassinas. A intoxicação do ar é espetacularmente visível nas cidades latino-americanas, mas é bem menos notada em algumas cidades do Norte do mundo.A diferença é explicada, em grande parte, pelo uso obrigatório dos catalisadores e da gasolina sem chumbo. No entanto, a quantidade tende a anular a qualidade, e esses progressos tecnológicos vão perdendo seu impacto positivo diante da proliferação vertiginosa do parque automotivo, que se reproduz como se fosse formado por coelhos.

Visíveis ou dissimuladas, reduzidas ou não, as emissões venenosas formam uma extensa lista criminosa. Para dar apenas três exemplos, os técnicos do Greenpeace denunciaram que é dos automóveis que provém mais da metade do total do monóxido de carbono, do óxido de nitrogênio e dos hidrocarbonetos, que tão eficientemente contribuem para a destruição do planeta e da saúde humana. “A saúde não é negociável. Chega de meios-termos”, declarou o responsável pelo setor de transportes de Florença, no início do ano. Mas em quase todo o mundo, parte-se do princípio de que é inevitável que o divino motor, em plena era urbana, seja o eixo da vida humana.

Copiamos o que há de pior – O ruído dos motores não deixa ouvir as vozes que denunciam o artifício de uma civilização que te rouba a liberdade para depois vendê-la, e que te corta as pernas para te obrigar a comprar automóveis e aparelhos de ginástica. Impõe-se no mundo, como único modelo possível de vida, o pesadelo de cidades onde os carros mandam, devoram as zonas verdes e se apoderam do espaço humano. Respiramos o pouco de ar que eles nos deixam; e quem não morre atropelado sofre de gastrite por causa dos engarrafamentos.

As cidades latino-americanas não querem se parecer com Amsterdã ou Florença, e sim com Los Angeles, e estão conseguindo se transformar numa horrorosa caricatura daquela vertigem. Levamos cinco séculos de treinamento para copiar em vez de criar. Já que estamos condenados à copiandite, poderiamos escolher nossos modelos com um pouco mais de cuidado. Anestesiados pela televisão, publicidade e cultura de consumo, engolimos a história/estória da chamada modernização, como se essa brincadeira de mau gosto e humor negro fosse o abracadabra da felicidade.