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29/09/2010

Em tempos de eleição

Em tempos de escolha de candidatos, sempre é bom lembrar que essa história de desenvolvimento como sinônimo de 'asfalto e carros' já vêm de longe.
Mas tudo bem, os tempos (penso eu) mudaram e hoje desenvolvimeto não pode estar descolado da palavra da moda: Sustentabilidade. Energia, transporte, emprego, economia e outras plataformas de governo precisam acompanhar os novos tempos. No entanto, ainda o que dá voto é asfaltar ruas, mesmo que essas ruas continuem, por de baixo desse asfalto, sem rede de esgoto, água tratada e sem calçadas decentes para os pedestres.
Desenvolvimento sim, porém, com sustentabilidade.


22/09/2010

Na cidade, sem meu carro


Dia 22 de setembro ocorre a iniciativa "Na cidade sem meu carro", mais que um evento esse dia serve para pensarmos uma forma de mobilidade diferente da atual. As nossas cidades que sofrem com o sufocamento gerado pelo uso idiscriminado do carro e de outros veículos poluentes merecem um momento de reflexão sobre o tema.
O Instituto da Mobilidade Sustentável - Rua Viva é um dos grandes defensores e divulgadores dessa idéia aqui pelo Brasil, abaixo deixo parte do texto que pode ser encontrado no site da Instituição, vale a pena pensar no assunto...



"Todos os dias andamos em calçadas estreitas enquanto carros ocupam extensos espaços da “via pública”, com largas vias para estacionarem; essas mesmas calçadas quase sempre cheias de buracos, onde mães com carrinhos de crianças e pessoas com deficiência fazem verdadeiras aventuras de obstáculos para chegarem a seus destinos, sofrendo acidentes, pois as casas deixam as calçadas cheias de rampas para a entrada dos carros.E a bicicleta, onde heróis anônimos arriscam a vida todos os dias para chegarem a seus trabalhos, e as crianças, às suas escolas.A rua, ao invés de espaço de vida, é o espaço do medo; das mortes, onde carros passam em alta velocidade por dentro de calmos bairros cheios de crianças, idosos e pessoas com deficiência – os seres mais frágeis - levando diariamente a morte a vários locais das cidades.Os ônibus, por falta de alternativas, trafegam em meio aos imensos congestionamentos provocados pelo excesso de carros que entopem nossas ruas, tornando a tarifa mais cara e a rotina de deslocamento insuportável, do transporte fluvial sem políticas e abandonado totalmente a soluções de mercado..." fonte: http://www.ruaviva.blogspot.com/

10/09/2010

Todo mundo se machuca quando você corre


A lição australiana

Lá do outro lado do mundo a Austrália nos dá bons exemplos de como abordar de forma direta, porém, sem apelos as questões de trânsito. A campanha da Transport Accident Commission - TAC, Instituição governamental de Vitória segue a linha de mostrar a realidade, expondo 'verdades' sobre os acidentes. O fato é que os afetados pelas loucuras que ocorrem nas ruas vão além daqueles que sofrem lesões físicas ou morrem. Toda a sociedade em volta é afetada por esses acidentes.
Pais, irmãos, namorados, namoradas, socorristas, testenhumhas, amigos, enfim, TODO MUNDO SE MACHUCA quando você corre, é o que diz a campanha (Everybody hurts when you speed).

O endereço para a campanha em questão está logo abaixo, vai lá!



http://www.tacsafety.com.au/jsp/content/NavigationController.do?areaID=13&tierID=2&navID=3A3289227F0000010158C52C55F970A4&navLink=null&pageID=1550

24/08/2010

Abraçando a vida



Existem discussões a respeito da eficácia ou não de campanhas educativas no trânsito. Penso que em boa parte das vezes o que acontece é um grande desperdício de tempo e dinheiro, pois, a complexidade das variáveis envolvidas nas questões de trânsito requer bem mais do que distribuição de folderes e algumas poucas vinculações de propagandas na televisão e no rádio. As soluções de nossos problemas nessa área, passam necessariamente, pela adoção de medidas simultâneas e permanentes em vários pontos como, por exemplo: Sistema coercitivo (leis e fiscalização), Sistema educacional (formação de condutores e população em geral) e Sistema econômico-social (mudança de cultura comportamental e de consumo).
Mas no caso em questão (campanhas educativas) outro problema, talvez mais importante ainda, é que essas ações de publicidade, via de regra, não conseguem estabelecer nenhum tipo de comunicação eficaz com a população. As pessoas não são 'tocadas' pelas mensagens que: Ou têm um caráter moralista e coercitivo (não faça isso, não faça aquilo...); Ou simplesmente reforçam aquilo que todos já sabem (não exceda a velocidade, respeite os pedestres, etc.).
Informar nunca é demais, porém, é necessário saber 'tocar o outro com a mensagem desejada, sem isso não há comunicação.
Um exemplo positivo do que digo é o trabalho realizado pela Sussex Safer Roads (SSR), organização inglesa empenhada em propiciar um trânsito seguro, levando em conta a ação integrada entre fiscalizar, gerenciar adequadamente o sistema viário e educar constantemente a toda população. Abaixo deixo o link de um vídeo que avalio como digno de prêmio pela sua criatividade. A SSR prova que é possível ser bem sucedido em uma ação de informação e educação de trânsito, olhem, é uma mensagem preciosa.

20/08/2010

Os 'apaixonados' por carros e o quadrado



Tem aquela musiquinha pueril que diz: "...cada um no seu quadrado", já ouviram? Tenho certeza que sim, mas o fato é que muitas vezes o 'nosso quadrado' se expande tanto que acaba por se tornar um um verdadeiro latifúndo. Viver em sociedade é conseguir colocar em 'um quadrado' nossos interesses, valores, ideologias, ambições e frustrações. Viver em sociedade é saber que existem outros "quadrados". Interpretando para o trânsito: Cada indivíduio na sua, mas respeitando o espaço do outro. Meu pensamento é simples: respeito para poder ser respeitado.

Agora, nada impede que críticas venham a ser feitas. Um exemplo que sempre citei em aula é o fato de que muitas pessoas têm paixão por carros. A mídia explora bem isso, vende e até cria slogans; " Apaixonados por carros, como todo brasileiro..." Ora, sou brasileiro, porém, nenhum pouco apaixonado por carros...
Mas tudo bem, no meu 'quadrado' algumas coisas têm mais importância que outras. A vida em primeiro lugar, por conseguinte, uma máquina não pode receber mais importância que as pessoas. Paixão, segundo o dicionário* é algo levado a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e a razão (penso logo na imagem do cara aí de cima**).

O sujeito apaixonado não está em sua razão, está 'fora da casinha'. E quando uma pessoa se diz apaixonada por um pedaço de metal, convenhamos, temos que concordar que a lucidez passou por ali e foi embora...
Nesse sentido, podemos entender melhor o porquê de tantas loucuras em nossas ruas. Pessoas matam e morrem pelos seus carros. Pequenos arranhões na lataria são encarados como ofensas imperdoáveis! Mas como somos 'brasileiros apaixonados por carros' tudo isso é compreensível, não é?
É preciso pensar e ter em mente que um hobby (gostar de carros), não pode ser mais importante do que uma vida ou a convivência com o outro.
O mundão louco...








* Novo Dicionário Aurélio.
** Do filme: O Iluminado.

16/08/2010

Transporte Público: A solução possível


Hoje os jornais divulgaram que o nosso país é o quarto mercado mundial em consumo de carros. Muitos festejam com um deslumbramento típico de "novos ricos", é claro que é algo bom uma economia ativa, com empregos e desenvolvimento, porém, é necessário olhar como cuidado essa veloz motorização social. O carro como única forma de transporte para as massas é a melhor receita para um fulminante infarto nas artérias de uma cidade.
O transporte público é a solução. Mas sempre é bom lembrar nossos prezados administradores públicos: Transporte público de QUALIDADE!

09/08/2010

Sem desculpas, por favor!


A minha breve passagem pela fiscalização de trânsito rendeu numerosas histórias (e algumas multas para os infratores...). Em muitas ocasiões cheguei a pedir que me "beliscassem" para ter certeza de que não estava sonhando. Diariamente presenciava inúmeras situações que colocavam em risco a segurança e a vida das pessoas que transitavam pelas vias . Mas das inúmeras infrações que constatava, ver crianças soltas e desprotegidas nos veículos, sempre foi o que mais me causava indignação.

O transporte irresponsável de crianças é uma daquelas situações que com atitudes simples poderíamos proteger, com grande eficácia, essas 'pessoinhas' que tanto amamos. Nas vezes que abordei condutores nessa situação, as desculpas foram sempre as mesmas: "...Mas eu não corro; Ela (a criança) não quer usar; Me esqueci!"

A campanha* acima é clara: Chega de desculpas! A segurança dos pequenos é responsabilidade de todos, por isso, reclame, faça cara feia ao ver um (i)responsável levar uma criança sem o cinto de segurança, no colo, no banco da frente de um carro ou em pé, sobre os bancos. Chega de desculpas, como diz na foto acima: AS DESCULPAS ACABAM QUANDO UM CARRO CHOCA-SE NO SEU!
*Fonte dos folders: http://www.carseat.org/

30/07/2010

Para onde vão as calçadas quando morrem?

Uma calçada pode morrer? Pois bem, pode sim. Nas cidades, em especial as brasileiras, a morte do ar puro, do verde, do convívio com o outro, do patrimônio histórico e cultural é uma rotina infeliz. O automóvel por si só não pode ser visto como vilão, em verdade ele é uma ferramenta que usamos para ganhar tempo e dar qualidade de vida a todos. No entanto, como um remédio que exageramos na dosagem acabamos por sofrer efeitos colaterais graves. O uso excessivo desse único meio de transporte está causando a morte (literal) das cidades e de seus habitantes. A ciranda desse problema é mais ou menos assim: O espaço nas vias é cada vez menor pela quantidade de veículos, Os congestionamentos aumentam; A poluição aumenta; A população reclama; Os órgão públicos realizam obras; O problema não diminui; A população reclama mais ainda; As vias são alargadas; Mais carros vão às ruas; A poluição aumenta; Os gestores públicos asfaltam vias (aumentam os alagamentos) e posam para fotos em suas obras; Aumentam os acidentes, atropelamentos; A população reclama, mas, via de regra apóia que as calçadas sejam mortas para ter mais ESPAÇO para os carros...
É claro para mim que qualquer vida humana tem mais valor do que um bem material, porém, as calçadas deveriam ser ampliadas e vistas como 'reservas' de preservação ambiental e não o contrário! Nesses locais a vida transita de forma livre e sem a proteção de armaduras de metal que os carros fornecem. As calçadas quando morrem, deixam sem proteção todos os seres que por ali passavam e viviam!

Começa sempre da mesma forma o discurso para o fim de uma calçada: Precisamos de espaço, é o progresso, é inevitável. Afinal é só uma calçada e algumas árvores (?). Tenho que informar para aqueles que são a favor da diminuição de passeios públicos que não será dessa forma que uma cidade se tornará 'moderna' e avançada, é exatamente ao contrário em todos os países desenvolvidos e que valorizam as pessoas. Certa vez li que o nível de civilidade de um país se mede pelo tamanho de suas calçadas. Valorizar o deslocamento a pé, as ciclovias o transporte público é antes de tudo respeitar o ambiente e permitir à população viver em um espaço saudável. Os automóveis são bem vindos, porém, é necessário que seu uso se dê racionalmente e que haja um forte controle sobre os mesmos, devido ao seu alto potêncial poluidor, mas principalmente, o uso do carro deve ser pensado sempre em conjunto com outras formas de deslocamento. É muito triste para uma cidade ou um país visualizar unicamente uma forma de deslocamento, é necessário dar às pessoas a possibilidade de optar por vários modais de movimentação, todos eles com segurança e acesso universal à comunidade.

Enfim, não será atacando as calçadas e aumentando desenfreadamente o espaço para os automóveis que os problemas de trânsito se resolverão (isso já se provou em S. Paulo, por exemplo), essa é a falsa e cômoda solução encontrada por alguns administradores públicos. Precisamos aceitar que da forma que estamos agindo, nunca haverá espaço para um carro por habitande em cidade nenhuma do mundo! Repito, é necessário um sistema viário de múltiplas possibilidades de deslocamento, racionalizando o uso de cada modal e não dando exclusividade a somente um. Bom senso, educação viária para a população e coragem para enfrentar esses desafios são urgentes em nossa sociedade, mas isso parece algo distante.

Em recente pesquisa, em um jornal da cidade de Caxias do Sul, foi perguntado à população se ela seria a favor da redução do tamanho da calçada em uma importante via, visto que será inaugurado um shopping nas proximidades. Bom, 62% aceitaram a proposta da prefeitura de reduzir a calçada (ver fotos). Ainda precisamos avançar muito ainda, tanto polítcos quando sociedade em geral precisam enxergar logo que se não repensarmos nossos conceitos a vida nas cidades tende a piorar mais e mais.
Pensando melhor acho que já sei para onde vão as calçadas quando morrem, talvez elas sigam para o mesmo lugar onde foram parar a qualidade de vida e o respeito aos pedestres.

28/07/2010

Você sabe com quem está falando?!?!

É mais ou menos assim que funciona em nosso país, o popular 'carteiraço' está presente em muitos momentos de nossas vidas, principalmente, quando as regras de boa convivência são quebradas ou simplesmente o sujeito se acha tão superior ao outro que acaba usando o discurso da imposição de sua pretensa superioridade vociferando: "Sabe com quem está falando?!?!?!"
Nesse momento escancaramos nossa fragilidade enquanto sociedade dita civilizada, pois, isso só ocorre por que cultivamos uma mentalidade aristocrática, conforme defende o antropólogo Roberto Da Matta. No trânsito, por exemplo, Da Matta lembra que reproduzimos valores de uma sociedade moderna, porém, atrelada ainda a um passado monárquico. Trata-se de um espelho de um país que se tornou republicano sem abandonar a aristocracia... O antropólogo comenta que existe uma cegueira em relação ao "outro", algo típico de sociedades estamentais nas quais aceita-se que há uma superioridade natural entre sujeitos. Sabemos que essa forma de pensar não combina com uma república democrática e acabamos por pagar o preço de não nos respeitarmos como indivíduos iguais perante as leis. Mais ainda, Da Matta reforça que por reproduzirmos sentimentos e posturas da epóca do Império não valorizamos a IGUALDADE como um valor a ser respeitado e ensinado desde cedo em casa e na rua. Lembremos que a nossa passagem de Monarquia para a República foi algo decidido por poucos e não um resultado de movimentos populares ou de um clamor pela população da época. Até meados do século XX, em muitos rincões do Brasil, ainda se acreditava ser Dom Pedro II nosso Rei! O fato é que nos, brasileiros, temos quase que no DNA a frase: "Sabe com quem está falando?!?!?" Nas ruas é claro esse sentimento de superioridade entre os condutores, que via de regra olham atravessado para os carros mais velhos ou de menor potência. Em uma escala de valores, os pedestres estão maus lençóis, pois, são vistos tal como os escravos eram vistos na epóca da monarquia. Não há senso democrático em nosso trânsito, muito menos a idéia de espaço público no sentido amplo da palavra: um local de todos e para todos.
Ocorre que ao transitarmos as regras de circulação pedem que todos sejam coerentes e obedientes a determindas regras, já que é necessário à preservação de vidas e é nesse momento que temos grandes problemas com aqueles que se acham melhores aos demais cidadãos. Essas pessoas se vêem como barões, viscondes, reis dentro de seus carros já que acham que as regras gerais não se aplicam a eles. A ideia de que quem respeita as regras de trânsito é um idiota ou um babaca , conforme diz Da Matta, é resultado desse pensar atrasado e anacrônico. Transitar com segurança exige respeito ao outro, respeito as diferenças e o mais importante, sentir-se igual aos demais em direitos e deveres. Exige democracia na prática e não esse regime esquisofrênico e belicoso que vigora em nossas vias o qual batizo de: CHAOS * motorizado.





*Controle do Homem por uma Aristocracia Obtusa e Sociopata motorizada.

21/07/2010

Amigos são estradas


Amigos são estradas*


Certos amigos são indispensáveis, simples como aquelas estradinhas de terra do interior, onde do alto da colina podemos avistá-las inteirinhas, sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar, são transparentes e confiáveis...

Tem amigos que são como aquelas estradas vicinais, que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que quando precisarmos elas estarão lá, prontas para nos auxiliar.

Existem ainda amigos que são como aqueles estradas que deixamos de usar, pois, a vida nos levou a outros caminhos, no entanto, mesmo assim as lembranças e as emoções dos doces passeios que fizemos nelas permanecem em nossa memória.

Amigos são assim, orientação e chão, caminho e direção que nos levam sempre a lugares melhores. Quando usamos o caminho da amizade o importante passa ser a viagem e não o destino.



*Livre adaptação do texto de Paulo Roberto Gaefke.

20/07/2010

O Chapeleiro acha que está tudo bem...


Sim, Elle é o CARA! Essa é a figura que estávamos esperando para nos 'ensinar' as verdades que não conseguimos entender... Não falo de algo metafísico, messiânico ou de cunho ideológico, não, não, não. Elle é o CARA por que ele pode entender a lógica nonsense de nossa sociedade, Elle, na verdade, não está muito se importando se somos ou não 'racionais' ou se conseguimos ou não perceber que em nossas ruas a lógica é torta ,surrealismo puro e digno de Lewis Carroll e suas criações. A cada feríado dúzias de pessaos são varridas fora de nosso convívio. Já é uma rotina, recordes funestos a cada mês. O Chapeleiro não estranha, pois, a tal de lógica e o racionalismo humano aqui 'do outro lado do espelho' parece já ter desaparecido há tempo...